segunda-feira, 4 de julho de 2011

Tecnologia e estrangeirismo

Por Hélio Consolaro

No mundo globalizado, a tecnologia transita no mercado mundial como se o planeta fosse uma feira livre, por isso a nação com melhor tecnologia transforma a sua língua como referência. Em nosso caso, o inglês.
Se nós temos palavras correspondentes no português, por que não traduzir os nomes dos novos aparelhos para o nosso idioma, como: “livros eletrônicos” ou “tabletes”, “pranchetas”. Só há uma explicação: subserviência cultural.

Se a palavra importada não tem tradução no português, como “whisky”. Assim mesmo, pode fazer uma adaptação gráfica: uísque. Errado mesmo, uma demonstração de falta de amor aos nossos valores culturais, é importar o objeto, a palavra e não fazer a adaptação ortográfica, como é feito com “marketing”, “show”, notebook, etc. Palavras com ortografia inglesa são inseridas no sistema português, sem fazer a “antropofagia” necessária, como dizia o escritor Oswald de Andrade.



Combater o estrangeirismo não é ser xenófobo, é dar uma característica local às palavras importadas.
Erros no discurso
Tenho ouvido discursos em que o orador cumprimenta na pessoa de um vereador todos os demais vereadores. Como no exemplo: “por isso, cumprimento efusivamente, na pessoa de V.Ex.ª, todos os juízes presentes”. Essa forma é correta.Mas ultimamente tenho ouvido alguns tropeções, como: “em nome da vereadora Durvalina Garcia cumprimento todas as parlamentares”. Errado. Na verdade, o orador está se pondo como porta-voz da vereadora, não está estendendo os cumprimentos às demais. O certo seria assim: “na pessoa da vereadora Durvalina Garcia, cumprimento todas as demais parlamentares”. Esse erro está ocorrendo também no campo do Executivo araçatubense.

Desencapetamento existe?
Alguns leitores viram faixas defronte a algumas igrejas evangélicas anunciando o “desencapetamento”.
Alguém pôs o capeta no sujeito, que se encapetou, o pastor faz o serviço de tirar o capeta do corpo de quem estiver encapetado. Na verdade, seria expulsar demônios, exorcizar.O pastor ao usar “desencapetamento” quer dizer que o diabo foi posto no sujeito por alguém, não surgiu espontaneamente. 


Seria a mesma coisa de “enfiar” e “desenfiar”. O verbo “desencapetar” e o substantivo correspondente “desencapetamento” não são encontrados nos dicionários. Tratam-se de neologismos.

PALAVRA DA SEMANA 
Ornamentação (or-na-men-ta-ção)
Os tapetes espalhados pelas ruas são trabalhados dias antes e, dependendo do tamanho, torna-se necessário que uma grande quantidade de pessoas vare as noites para finalizar a produção antes do dia de Corpus Christi. Nessas festas, esses tapetes são a principal forma de ornamentação das ruas, como ocorreu em Araçatuba. O substantivo “ornamentação” é referente ao verbo 'ornamentar', sinônimo de “enfeitar”. Dicionário disponível na internet: www.aulete.com.br.

Teste da Semana
(Resposta)
Quando o homem deve tratar a sua companheira de “esposa” e em que circunstância tratá-la de “mulher”.
Resposta: o Manual de Redação do Estadão recomenda o uso de “marido e mulher”. Esposa, apenas em caso de autoridades: a esposa do ministro.

O Direito prefere o uso de “marido e mulher”. O Código Civil atual (Lei Federal n.º 10.406, de 10 de janeiro de 2002, não registra uma vez sequer a palavra “esposo” ou a palavra “esposa”.
A etiqueta recomenda a mulher usar “marido” para se referir ao seu companheiro; e o marido usar “mulher” ao referir à sua companheira. Esposa é a mulher do amigo, conhecido. Esposo é o marido da amiga, da colega.

Teste da Semana
(Pergunta)

O comentarista esportivo disse na televisão: “Aí é outros quinhentos”. A concordância do verbo ser está correta?

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