quinta-feira, 14 de julho de 2011

Sem desistir de sonhar

Por Erika Tamura


Nesta semana comecei a ler o “Nunca desista dos seus sonhos”. E na minha opinião, acho que todos os dekasseguis deveriam ler esse livro, pois nós, os dekasseguis, saímos do Brasil rumo ao Japão em busca de um sonho, na tentativa de dar um passo para alcançar determinado objetivo.
O problema é que no meio do caminho, os sonhos podem mudar, e os objetivos seguem para um outro rumo.

Mas pelo que li no livro, o importante é ter um sonho, não importa qual, mas centrarmos em um foco. Pelo que pude perceber aqui no Japão, muitos abriram mão de seus sonhos e estão vivendo por viver, ou sobrevivendo, e isso é terrível, pois deixamos de evoluir e desperdiçamos o nosso tempo com coisas supérfulas que não nos trazem nenhuma satisfação.


E agora, mais ainda percebo que muitos acordaram com os terremotos e tsunamis e descobriram que perderam muito tempo sem a focalização num objetivo claro. As tragédias naturais nos últimos meses aqui no
Japão, trouxeram algumas lições benéficas: a união do povo japonês, a importância da economia da energia elétrica, o poder de reconstrução nipônico. São apenas alguns exemplos benéficos que posso citar, mas para os brasileiros que vivem aqui no Japão, serviu para um despertar que poucos imaginavam que aconteceria.

Afinal, de uma hora para outra, muitos brasileiros decidiram retornar ao Brasil, levando consigo os sonhos individuais, e assim mudando o foco dos objetivos a serem alcançados.

Muitos brasileiros conquistaram vida estável e confortável por aqui, mas com os constantes terremotos e o perigo radioativo, viram-se tomados por um sentimento de desespero e quiseram retornar ao Brasil num ímpeto que pode ser considerado precipitado por uns e acertado por outros.

E o que senti na verdade, em meio a todo esse pânico generalizado, foi tristeza. Quantos sonhos não foram abandonados no meio do caminho? Houve uma mudança de rumo na vida de todos, com certeza, mas nunca a esperança de dias melhores. E isso não deixa de ser um sonho, não é? Uma tragédia que mudou a vida de todos, mas que fez com que os brasileiros acordassem para a realidade e percebessem que é necessário ter uma reserva financeira sim.

Vi muitas famílias brasileiras desesperadas para embarcarem ao Brasil, mas sem nenhuma condição financeira para isso. Vi também a importância em pelo menos ter uma noção do idioma local, um detalhe importantíssimo na hora de uma catástrofe, afinal, como pedir socorro e ajudar outras vítimas se não falar japonês?

Eu sempre bati nessa tecla da qualificação profissional, e aprendizado do idioma local, acho realmente um desperdício morar aqui e não falar japonês! Por isso, a cada crise econômica e a cada tragédia, percebo que não estou errada no meu pensamento. E por mais que eu saiba falar japonês, ainda não estou satisfeita e mantenho-me firme no estudo do japonês no dia a dia.

Desde que saí do Brasil pela primeira vez, meus sonhos já mudaram muito, mas com a ressalva de que nunca deixei de sonhar, e sou centrada nos meus objetivos. Confesso que tem dado certo, tenho realizado todos os meus sonhos, um a um, galgando cada degrau dessa vida e vencendo cada obstáculo que se sobrepõe à frente, com a única certeza de que devo sempre manter o foco.

Pessoas que traçam meta e sonham com algo eloquente, realmente são aquelas que conseguem um destaque maior dentro da sociedade. É preciso ter visão apurada e enxergar longe, ver um mundo além. Foi assim que sobressaíram-se todos os grandes sonhadores como Einstein, Thomas Edison, Mozart, entre outros nomes importantes.

E o que tem faltado aos dekasseguis é exatamente isso, a liberdade de sonhar, e sonhar grande. A gande maioria já acha que sonhar é luxo demais. Vamos parar com esse pensamento pequeno e nos fazer presente dentro da sociedade japonesa, e para isso temos que investir nas loucuras que sonhamos. Eu acredito fielmente nessa teoria. Sonhar é para todos!

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