terça-feira, 19 de julho de 2011

A rede social e a política

Por Carlos Alberto Brasil Alves

Não sei se as outras redes sociais que existiram ou ainda existem na internet são ou foram ruins, ou se ruim sou ou fui eu em não ter conseguido fazer delas um excelente instrumento de comunicação e interação essencialmente intenso e mais próximo do real.

Ao menos para mim, o Facebook, que foi recentemente objeto até de filme concorrente ao Oscar, tem sido um instrumento de grande valor, especialmente pela troca de informações, conhecimento, difusão de pensamentos entre amigos, familiares e outras pessoas importantes que o cotidiano e rotina próprios de cada um insistem em nos desencontrar.


Mas o porquê de política nesta história? Quem usa o Facebook sabe que pipocam instantaneamente comentários, críticas, elogios sobre tudo e sobre todos. E daí ressurgiu em mim uma grande fonte de inspiração. Aos que têm essa fonte viva e pulsante dentro de si, sabe que ela precisa ser cultivada para não se esvair, evitando o ópio de transformarmo-nos em seres que parecem pensantes, mas que só lamentam ou criticam por criticar.

Adquiri um recente hábito de postar na rede social pequenas frases de pensadores históricos, e tecer alguns comentários sobre elas, frases curtas, às vezes até de autoria desconhecida, mas que para mim têm sido notoriamente muito produtivas e levam-me ao exercício constante da autocrítica e à busca pelo amadurecimento.

Uma amiga de “face”, que também é uma pessoa real, que também é uma pessoa próxima, que também é uma pessoa que conheço, que também é uma pessoa que vejo, sugeriu que eu buscasse difundir um pouco mais sobre um trecho de um “pensamento” que reproduzi no meu perfil. Vamos lá!

Platão, por volta de 2.500 anos atrás, disse:
“A punição que os bons sofrem, quando se recusam a tomar parte do governo, é viver sob o governo dos maus.”

E no Facebook mesmo comentei, nada de muito novo, nada do que muitos de nós já não pensemos, mas que sempre cabe difundir e deixar vivo: Platão há quase 2.500 anos já nos alertava. Essa com certeza serve para mim, para você, para nós todos que vivemos a reclamar dos governos e deixamos que eles façam o que quiserem de nós e por nós. Penso que se tivermos governos “menos ruins” já seria um bom caminho, um início.

E pra um governo ser “menos ruim” é preciso que alguns bons se infiltrem, resistam à má famigerada máquina pública, e se proliferem cada vez mais, entre os maus, despreparados e paraquedistas que insistirem em sobreviver e atrapalhar.

Para os que manifestam detestar o tema política, claro tenho para mim que não detestam a política em si mesma, mas sim detestam o governo dos maus, que infelizmente tem confundido a cabeça das pessoas, fazendo-as achar que política é necessariamente o exercício do poder pelos maus. Poderia e pode não ser, desde que não detestemos a política e sim o governo dos maus, dos incompetentes, dos oportunistas, dos paraquedistas. Mas a coisa misturou tanto a cabeça das pessoas que acaba sendo compreensível a indiferença delas em participar, ou ao menos acompanhar o que se passa nesse universo que reflete tantas coisas em nosso cotidiano. Mas com tantos canais para debates, a coisa tem mudado. E tem maus, oportunistas e paraquedistas ficando pra trás, como se já não estivessem.

Como o espaço aqui é precioso e muita gente tem cada vez mais se manifestado sobre os mais diversos temas, o que é muito bom, vou me limitar a deixar no ar esse pequeno comentário reproduzido no Facebook, mas com a intenção de voltar ao assunto outras vezes, quem sabe já focado em coisas mais locais ou regionais, apenas para prosseguir nos debates, seja por aqui, pelo “face”, ou por outra forma válida de interação positiva.

Valeu, hein, Facebook, valeu amigos reais que me incentivam a escrever. Cada vez mais podemos nos manifestar livremente e podemos aproveitar todos os meios possíveis para melhorar nossas vidas, nos mais variados aspectos. Curtiu? Pra ser um pouco mais democrático acho que falta ao Facebook um “Não Curtir”.

Temos o direito de curtir, não curtir, ou sermos indiferentes. Mas poderia ter um linkizinho com o dedo
polegar apontado pra baixo pra facilitar. “Cutucar” só não dá né?

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