sexta-feira, 8 de julho de 2011

O campo é o lugar

Por Emmanuela Zambon 

O estudante Lucas Gasparini de Sousa, 8 anos, de Araçatuba, raramente acorda depois das 8h. De vez em quando, o menino chega a despertar com o ponteiro das horas apontado para às 6h, quando o dia começa a receber os primeiros raios de sol. Ele vai para a escola antes do almoço e sai às 16h. A partir desse horário, até o anoitecer, ele se envolve em várias atividades no sítio da família.

Para muitas crianças, viver em uma casa longe da cidade e sem a tecnologia de computadores e videogames parece uma realidade impossível, ou pelo menos muito difícil. Mas Lucas não está sozinho. O sítio é o lar de muitas crianças que preferem a tranquilidade de morar no campo, cuidar dos animais e ajudar em atividades rurais, a ter que viver no meio urbano, onde todas essas tarefas são substituídas pela modernidade do dia a dia. Segundo o Censo de 2010, realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), são mais de 3 mil pessoas morando na zona rural em Araçatuba.


Várias crianças que residem com os pais, ou parentes, em sítios, têm um cotidiano inusitado para a maioria da população. E o mais interessante é que esses pequenos adoram o tipo de vida que levam: quando questionados sobre se gostariam de mudar de casa, a resposta, quase sempre, é “não”. Lucas, por exemplo, tem muitos motivos para gostar de morar em uma propriedade rural, situada no bairro Água Limpa, em Araçatuba.

ROTINA CAMPESTRE
Uma das ocupações do estudante, quando está em casa, é ajudar o pai em alguns trabalhos. Ele quase sempre acompanha o frete de bois e a vacinação de gado. “Quando o meu pai faz frete, eu vou com ele. Ajudo o meu pai a mexer com o boi, a dar vacina”, explica. Lucas, que fica grande parte do tempo com a avó, também aprendeu com ela a separar o bezerro da vaca. “Senão, não sobra leite pra gente tomar depois”, completa ele.

De acordo com Lucas, as atividades no campo não param por aí. Ele também cuida da horta, alimenta as galinhas e dá água aos porcos. “Não gosto da cidade, gosto de morar no sítio, porque aproveito mais, ando, cuido do sítio”, diz. Segundo a avó de Lucas, Vilma Aparecida Felipine Gasparine, 50 anos, o menino não vai para a cidade nem para acompanhar a mãe nas compras no supermercado. “Na maioria das vezes, ele prefere ficar no sítio”, conta Vilma.

AMOR À NATUREZA
A estudante Natália Barzagui Antigo, 9 anos, que mora em um sítio no bairro Pratinha, em Araçatuba, adora estar rodeada pela natureza. “Aqui tem bastante animal e tem o córrego. No calor, eu vou lá pra nadar e pescar”, afirma. Quando ela tem tempo, entre a escola e os estudos, também tira leite da vaca, alimenta as galinhas e molha a horta.

Além desses afazeres, Natália lembra que adora andar a cavalo com a supervisão do seu pai. Ela só vai à cidade para acompanhar a família nas compras. A mãe dela, a dona de casa Valdinéia Barzagui Antigo, 35 anos, explica que Natália sempre morou no sítio e que além de gostar desse ambiente influencia o irmão mais novo a ter os mesmos hábitos que ela. “Não moraria na cidade, lá não tem nada disso. No sítio, eu tenho espaço e os animais”, finaliza Natália.

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