quarta-feira, 13 de julho de 2011

O amor ainda preconizado

Por Maria Eny Rossetini Paiva

“Repentinamente tudo mudou. Todos os meus parentes passaram a me tratar com consideração”, dizia a jovem cujos olhos brilhavam de contentamento.

A colega de trabalho indagou: a que se deve semelhante compreensão dos parentes? A resposta: à minha mudança, minha reforma íntima. Conversando com o guia espiritual irmã Hermione, me fez ver que era eu a culpada dos desentendimentos que existiam em minha família, e que se eu amasse meus irmãos, mãe e pai, eles me amariam.

- Que bom! Então seu pai alcoolista, sua mãe que não faz o serviço, seus irmãos que usam seus pertences sem pedir autorização, que vivem implicando com você mudaram essas formas de agir?


- Claro que não! Eles são espíritos imaturos e infantis que me cumpre compreender e aceitar, uma vez que não nasci naquela casa por acaso.

- Entendo! Quando você parou de sofrer porque eles a usam, porque não cumprem suas obrigações e deixou de reclamar, a paz voltou ao seu coração e à sua vida. É isso?

- O espírito Hermione me ajudou a perceber que a revolta não leva a nada. Tenho que aceitar as pessoas e amá-las como são. Tocadas pelo imenso amor, que esse espírito iluminado me fez descobrir em mim, tudo se transformará.

Bem, parece-me que apenas você se transformou. Você deixou de reagir, encerrou as cobranças, desenvolveu o carinho e permite que cada um viva como quer, continuando a usar você e explorar seu trabalho e suas posses.

Giane ouvia a amiga Lucila, com respeito. Espírita convicta, explicara à amiga que seu espírito vivia aquela situação na família tão desajustada para aprender a ser independente. Viver sem necessidade de aprovação e do afeto de pessoas tão egoístas, que só "gostavam dela" quando tiravam proveito era a lição dessa sua vida.

Muitas vezes nós solicitamos essas provas para testar nosso espírito (Livro A Gênese - capítulo XI, item 26 e capítulo V, item 9, a quinta obra da Codificação Espírita empreendida por Allan Kardec). Estudasse, alcançando sua independência financeira. Criasse sua vida própria, seus objetivos, suas amizades. Amparasse seus familiares dentro do possível, sem deixar que abusassem. Não permitisse que invadissem sua vida.

Giane ainda tentou: lembra-se de como conversamos que o amor verdadeiro auxilia as pessoas a crescerem, a assumirem suas responsabilidades e respeitarem a si e aos outros? Porque retomar a sua velha forma de amar, se já fracassou? Você não está limitando seus entes queridos? Fazendo-os dependentes de você?

Mas, irmã Hermione me mostrou que há um amor além e superior a todos. O amor de Cristo, que é todo doação, incondicional ao outro, independente do que a pessoa faça.

A amiga Giane argumentou novamente: caso não se recorde, o entendimento é de que o amor deve ser incondicional, que é diferente de se doar incondicionalmente. Doar, doar transforma os que recebem em eternos bebês, que só sugam, sugam...

Ao terminar a argumentação, Giane viu Lena, sua guia espiritual, que observou: veja a alegria com que sua colega demonstra as velhas convicções que estão arraigadas na visão cristã das diferentes religiões. Tudo o que lhe disser será inútil. Ela está fascinada pela orientação tradicional das religiões, que nos fazem escravos uns e escravizadores outros.

A orientadora concluiu: Jesus nunca pregou o sacrifício pessoal por alguém, mas pelo ideal, pelo Reino de Deus. Ela sofrerá muito. No entanto, é a escolha que pode fazer, no momento. Entenderá quando o sofrimento, as colheitas da ingratidão, do desprezo e do falso carinho pesarem muito. Quando a solidão, embora com eles, tornar-se insuportável, ela tentará novos caminhos.

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