segunda-feira, 4 de julho de 2011

Internet x biblioteca (1)

Por Talita Rustichelli

No final dos anos 90, o Brasil começou a experimentar uma ferramenta responsável por algumas das mais fantásticas viagens proporcionadas ao ser humano: sem sair do lugar, em frente a um monitor, uma pessoa poderia ter acesso a documentos, histórias, países, galáxias, outras pessoas, outras culturas.

A internet, que na época começava a se desenvolver no país, hoje é uma das principais fontes de pesquisa para os mais variados assuntos e alcança no País cerca mais de 40 milhões de usuários.

Do outro lado está uma outra ferramenta de pesquisa, que também proporciona uma fantástica viagem. Os livros, existentes há milhares de anos, são capazes de transportar a mente para um universo imaginário, por meio da subjetividade (do autor e do leitor).


Porém, a era tecnológica exige que o ritmo cotidiano seja mais veloz e proporciona meios para isso. Desta forma, as facilidades geradas pelo universo "www" (World Wide Web, em português, "rede de alcance mundial") acabaram transformando o modo de vida de muitas pessoas. A leitura, ou mais precisamente, o contato com determinados tipos de livros sofreu alguns impactos, refletidos em bibliotecas, por exemplo.

A chefe do serviço municipal de bibliotecas de Araçatuba, Tânia Regina Capelari, afirma que a biblioteca municipal "Rubens do Amaral" começou a ter seu movimento reduzido há cerca de cinco anos. Segundo ela, a consulta referencial, feita em enciclopédias e dicionários, foi a que mais diminuiu.

Segundo Tânia, em 2003 o movimento da biblioteca somou 40.000 pessoas durante o ano, número que caiu para 17.000 em 2009, queda de 57,5%. Naquele ano, o local ainda possuía um livro com o registro de frequentadores. A partir de 2010, o controle deixou de ser feito, por isso não há números atualizados. Apesar disso, a chefe da biblioteca garante que as visitas diminuíram em comparação aos anos anteriores.

"A maioria dos frequentadores era de alunos que vinham até a biblioteca para fazer trabalhos de escola. Com a internet, que traz muitas fontes de pesquisa e é mais rápida, os estudantes preferem recorrer aos sites. Antes, era preciso consultar os livros, escolher os trechos e copiar. Hoje são poucos os que fazem isso aqui. Com o computador, bastam alguns cliques e tudo sai impresso", afirma. De acordo com a chefe do serviço de bibliotecas, hoje vão até o local pessoas que estudam para concursos e leitores de periódicos (jornais e revistas).

EMPRÉSTIMOS
Tânia diz ainda que, apesar da queda do movimento dos utilizadores do local para estudos e pesquisas, o empréstimo de livros aumentou em relação ao ano passado. Segundo dados atualizados cedidos pela biblioteca, de janeiro a junho de 2010 foram contabilizados 6.952 empréstimos de livros, sendo que de janeiro a junho de 2011, o número de empréstimos é de 7.190 (até o dia 22 de junho). A biblioteca conta atualmente com um acervo de 64.000 livros e 22.078 usuários cadastrados.

HÁBITO
Para criar nas crianças o hábito da leitura, a biblioteca municipal de Araçatuba criou em setembro de 2010 o projeto "Hora da leitura", que atende a alunos de escolas da rede municipal com idades entre 7 e 11 anos. "Os alunos são reunidos em grupos e um funcionário, junto ao professor, fica responsável por ler para eles trechos de livros, e as crianças leem também. Isso faz com que o espaço da biblioteca passe a ser frequentemente utilizado por estes alunos e possibilita um contato inicial com os livros", conta Tânia.

A Biblioteca Municipal "Guilherme de Almeida", de Guararapes, também realiza um projeto que auxilia no estímulo à leitura. Semelhante ao projeto de Araçatuba, o "Biblioteca Viva" realiza desde 2009 visitas monitoradas para alunos do 2º ao 5º ano. "Nós vamos até as escolas, divulgamos a biblioteca e trazemos os alunos até aqui. O movimento caiu muito, então buscamos no projeto uma forma de reverter a situação", explica a diretora de Educação, Maria Cristina Walder Mendonça Galiano.

O radialista e publicitário Mesaque Cláudio, 54 anos, é um dos poucos frequentadores assíduos da biblioteca araçatubense. Ele conta que sempre teve a leitura como parte de seu dia a dia e faz questão de cultivar o hábito em seus filhos. "Eu e minha família visitamos bibliotecas até quando viajamos. Toda semana venho até aqui para ler pelo menos jornais e revistas. Nós gostamos do ambiente", diz.

O filho, Isaque Ramon Correia Cláudio, 18, afirma que sempre recorre à internet para realizar pesquisas escolares, mas acrescenta: "há muitas coisas que só se encontra em livros". Para ele, a internet possibilita inúmeras informações, mas muitas delas podem ser duvidosas.

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