segunda-feira, 4 de julho de 2011

Internet x biblioteca (2)

Por Talita Rustichelli

Com cada vez mais frequência as pessoas vêm trocando o espaço físico pelo virtual. O espaço físico de bibliotecas para pesquisas, por exemplo, vem sendo substituído pela internet, uma ferramenta que acaba sendo mais prática. A rede traz inúmeras facilidades para a vida na sociedade tecnológica, porém, se não for utilizada com cautela, pode desencadear diversos aspectos negativos, como a utilização de informações pouco confiáveis.

O bom senso é que determina a qualidade de uma pesquisa na internet, afirma o administrador de rede Dante de Conti Neto. "A pessoa deve saber discernir de onde vem uma informação confiável ou não. Os blogs, a não ser que você conheça o autor, muitas vezes podem ser fonte de informações incompletas ou falsas. O mais adequado é procurar por sites de instituições conhecidas", afirma.


Para Neto, a Wikipédia (enciclopédia livre) é um site confiável e sua característica de edição coletiva não empobrece o conteúdo. "Ao contrário do que muitos pensam, a Wikipédia pode sim ser considerada uma boa fonte de consulta. Exatamente por possuir um sistema colaborativo, em que qualquer pessoa pode acrescentar conteúdos, as informações vão sendo refinadas e se tornando mais ricas. É uma enciclopédia viva", afirma.

A psicopedagoga Lia Mara Malinski Gandra discorda e afirma que sites como a Wikipédia não devem ser fontes únicas. "A Wikipédia pode ser editada por qualquer pessoa, que nem sempre tem domínio sobre o assunto que publica e nem sempre pode ter o interesse de divulgar um conteúdo correto", diz.

COLABORAÇÃO
Dante explica que o site nasceu a partir do conceito dos softwares livres, que são programas de computador realizados e aperfeiçoados por colaboradores. "O termo 'wiki' existe antes mesmo da Wikipédia e engloba tudo o que é colaborativo, ou seja, é construído com a participação de diversas pessoas. É um processo que está consolidado e tem muito espaço na rede", acrescenta.

A pedagoga Lia Mara Malinski Gandra defende que não há só pontos negativos na utilização da internet, mas que ela deve ser feita com critérios, para não se obter resultados indesejáveis para o aprendizado. "O aluno precisa ser orientado sobre como proceder em pesquisas, independente da fonte, seja ela em sites ou em livros. A escola tem um papel importante neste aspecto, os professores precisam ensinar os estudantes a pesquisarem, e isso nem sempre é feito; o aluno copia, não assimila o conteúdo, e muitas vezes a escola aceita. Geralmente ele só vai ter noções de pesquisa na graduação", complementa.

Ela afirma que não se pode culpar o aparecimento da internet pela falta de qualidade do conhecimento adquirido pelos estudantes. "A educação que temos vem de um processo antigo de cópia e memorístico. Mas mesmo quando ainda não tínhamos acesso à internet, já copiávamos trechos de livros e decorávamos a informação. Ou seja, a internet não é culpada pelas cópias ou pela falta de assimilação do conteúdo", diz.

Para Lia, a internet não é um prejuízo, mas apenas uma modificação na forma como se busca as informações. "Antes, era necessário se deslocar até uma biblioteca para consultar livros, e hoje a maioria das pessoas tem acesso a um computador com internet. Ela socializou o conhecimento, e isso é mais que positivo. O ponto negativo da ferramenta está na falta discernimento de quem a utiliza", afirma.

CONFIÁVEL
Ela cita o site www.scielo.org (Scientific Electronic Library Online) como uma fonte confiável. A página é uma biblioteca eletrônica que disponibiliza uma seleção de periódicos científicos brasileiros, como jornais, revistas, artigos, relatórios entre outros, sobre diversos assuntos. O projeto foi desenvolvido pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), em parceria com a Bireme (Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde) e possui apoio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).



Livros de papel têm público cativo
A professora Roberta Caetano da Silveira prefere os livros de papel e nunca leu um livro pela internet, mas não nega a possibilidade que esta preferência possa se reverter algum dia.
Ela conta que recorre com frequência a sites para buscar artigos acadêmicos, biografias e resumos de livros. "Sempre que vou prestar um concurso e não há tempo para fazer a leitura completa de uma obra, busco uma sinopse na rede e também artigos sobre o material", diz.

"Essa minha 'evolução' é recente, começou há uns dois anos, portanto acho possível que futuramente eu comece a ler livros inteiros pela internet também. As novas tecnologias vieram pra nos auxiliar", afirma. Porém, ela diz que o livro impresso não será totalmente substituído.

"Eu gosto de pegar o livro, manuseá-lo, fazer algumas anotações a lápis. É diferente de uma leitura no computador, é mais poético".

Para o professor Ezequiel Theodoro da Silva, colaborador voluntário da faculdade de Educação da Unicamp, existe um público que, como ele, possui um apreço pelo material impresso. "Mesmo com a internet, o livro não perdeu determinadas funções. Eu, por exemplo, todos os dias tenho que fazer a leitura de jornais impressos, além de ser apegado aos livros, que são objetos concretos, táteis, com uma textura, um cheiro", conclui.
VANTAGENS
Porém, em relação às facilidades proporcionadas pela internet, Silva afirma que talvez a única vantagem do material impresso é manter a densidade do conteúdo.

"Na internet, ocorre certa superficialização das informações, pela velocidade do veículo, pois a leitura de textos muito longos na tela do computador é cansativa. Mas ao mesmo tempo em que a tecnologia pode facilitar ainda outros problemas, como o plágio, ela pode disponibilizar gratuitamente enormes bancos de dados virtuais", complementa.

ECONOMIA
O estudante de Arquitetura e Urbanismo, Amauri Vieira Junior, 18, recorre a sites de busca para procurar e baixar livros. Ele afirma que uma questão econômica acabou desenvolvendo o hábito.

"Dificilmente compro livros, apenas quando é um material extremamente necessário para a faculdade, ou quando não encontro disponível na internet; ela facilita muito. Porém, se eu pudesse, compraria todos. Fico incomodado quando passo durante muito tempo em frente ao computador, e corro riscos de ter a máquina repleta de vírus", diz.

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