quarta-feira, 6 de julho de 2011

‘Hacker’ e ‘Cracker’

Por Hélio Consolaro

Esta coluna, agora, recebe os efeitos do estrangeirismo: numa coluna de explicações do português, explica o inglês.

A mídia anda dizendo e escrevendo que “hackers” (plural) invadiram sites oficiais do governo brasileiro. Para usar o maniqueísmo vigente, podemos dizer que o “hacker” (singular) é o profissional de informática que elabora “softwares” legalmente, seria do bem; e “cracker”, o ciberpirata, o do mal, ou seja, profissionais que invadem sistemas informáticos para obter ou alterar informação ilicitamente.

E por que atualmente se usa “hacker” para designar o pirata, se “hacker” não tinha, originalmente, em inglês, o sentido depreciativo que hoje torna esta palavra sinônima de “cracker”? A mudança de sentido das palavras é uma constante nas línguas, sempre tem como origem um fator social.


A palavra “cretino”, por exemplo, tem a mesma origem de “cristão” e hoje tem o sentido pejorativo de imbecil, idiota, mas há uma história interessante atrás dessa mudança. “Cretino” é uma palavra de origem franco-provençal e, segundo Gama Kury, tudo começou porque por lá chamavam o portador de bócio (doença do papo) de “pobre cristão”.

Vilão é outra palavra que mudou radicalmente de sentido. De habitante da vila, da aldeia, um sujeito meio tosco, grosseiro, foi logo associado a “vil”. E como o habitante da vila era desvalorizado, rapidamente a associação foi aceita: “vil” a “vilão” passaram a significar a mesma coisa.

Palavra da semana
Orquestra (or-ques-tra)
No último sábado, esteve em Araçatuba, a Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí. Por que não chamá-la de orquestra? Se os garotos do Guri, quando se juntam para tocar, o Pepa, apresentador da noite, anuncia: “Orquestra Sinfônica do Guri”.
A diferença está na presença ou ausência do violino. Aquele instrumento franzino é fundamental na definição. Às vezes, uma orquestra tem 40 violinos.
No sábado, 2 de julho, no Vívere, os violinos estiveram ausentes, por isso “Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí”.
Na formação do Guri, embora seja composta por incipientes músicos, estão lá os violinos.

POSTESIA
Postesia é poesia no poste, um movimento paulistano que leva poesia para as ruas. Veja a proposta: “Sarau do Binho é um encontro entre poetas, artistas da música, do teatro, das artes visuais, agentes culturais, professores, estudantes, PESSOAS! Reúnem-se semanalmente às segundas-feiras para ouvir e falar poesia. A troca é pura energia! Vivemos numa época em que as pessoas se queixam de que as RELAÇÕES HUMANAS são superficiais e não se sustentam, os conflitos crescem em todas as áreas e as linguagens não são compreendidas, precisamos nos dispor a olhar com o intuito de aprender....”

Veja a poesia feita propositalmente em linguagem popular. Cefaleia, acentuada, antes do acordo ortográfico, significa “dor de cabeça”. Agora, cefaleia não tem mais acento.

Teste da Semana
(Resposta)
O comentarista esportivo disse na televisão: “Aí é outros quinhentos”. A concordância do verbo ser está correta?
Resposta: a concordância está errada, conforme o padrão culto da língua: “Aí são outros quinhentos”. Mário Prata no seu livro “Mas será o Benedito?” explica de forma cômica como surgiu a expressão.

“Um sujeito resolveu sair do interior para tentar a sorte na capital e deixou quinhentos contos de réis para o padre guardar. Nunca mais apareceu. Depois de vários anos, voltou e foi pedir o dinheiro. O padre havia gasto na reforma da igreja e dizia que ele não tinha deixado dinheiro nenhum. O sujeito estava possesso. Um 'coronel' que ouvia a conversa, para limpar a barra do padre, disse:
- Foi comigo que você deixou o dinheiro.
No que ele, esperto, respondeu:
- Isso são outros quinhentos, coronel!”

Teste da Semana
(Pergunta)
“Sinto saudades de mamãe” ou “Sinto saudade de mamãe”? Qual forma está correta?

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