segunda-feira, 4 de julho de 2011

Gosto pela leitura

Por Ayne Salviano


Conheço muitos pais que desejaram e planejaram seus filhos. Conseguem associar o trabalho fora e dentro de casa com a paternidade/maternidade responsáveis. São capazes, por exemplo, de, mesmo no final de um dia extenuante, ainda deitarem-se com seus rebentos e lerem para eles um bom livro. Mesmo depois que suas crianças crescem, ainda dividem a mesma cama no final da noite e, agora, ouvem as histórias - reais ou fictícias - vividas por aqueles personagens principais das suas vidas.

Pra sempre
Iniciativas simples assim como ler e contar histórias marcam positivamente a vida das pessoas. Ninguém pode negar então que a atenção dos pais desde a primeira infância e o exemplo deles pelo resto são comportamentos fundamentais que influenciam os seres humanos. Pois não é diferente com a leitura. São os pais que despertam o gosto, e não simplesmente o hábito de ler nos filhos.


Prazer
Sim, porque há uma diferença gritante entre ler por hábito e ler por prazer. A psicóloga Rosely Sayão é uma das defensoras desta tese. Durante encontro com educadores na Unicamp no ano passado, do qual participei pela Folha da Região, ela foi clara em afirmar que aquilo que é feito por hábito - inclusive a leitura - é, às vezes, até nocivo. Ao contrário de ler por prazer, que só acrescenta: conhecimento, emoção, autonomia, discernimento, cultura.

Ameaça
Há outros riscos que a leitura por prazer afasta naturalmente. Por exemplo: não há como ignorar, hoje, que o contato diário e direto de crianças e jovens com a internet pode prejudicar até na aprendizagem da grafia correta das palavras. Chats, redes sociais e outras ferramentas têm uma linguagem própria, a qual, diga-se de passagem, muitas vezes nem lembra a norma culta do português, há frases inteiras até sem vogais. Ler por prazer ajuda a reforçar a grafia correta das palavras, sem esforço e apesar dos vícios da internet.

Ajuda
Quer saber mais como despertar o desejo em alguém de ler por prazer? Pais, educadores e interessados vão encontrar uma ajuda extra na Cartilha sobre Educação, do Educar para Crescer do Grupo Abril, fácil de encontrar: http://familiaeducadora.blogspot.com/2011/03/cartilhas-sobre-educacao.html.

Dicas
Vamos compartilhar alguns conselhos desse material: Leia sempre – é bom para você e excelente para o seu filho, que seguirá o seu exemplo naturalmente. Converse com ele sobre o livro, a revista ou o jornal que estiver lendo. Deixe todo este material ao alcance das mãos dele. Eles servem para ser lidos, não para enfeitar prateleiras e mesinhas de centro da sala.


Descobertas
Escreva sempre: bilhetes, cartas, e-mails, listas de compras. Pais que utilizam a escrita em casa ajudam na alfabetização dos filhos. Além disso, quem escreve melhor fala melhor, acredite!


Sugestão
Tenha um dicionário. É importante buscar o significado correto das palavras para aumentar o vocabulário e a capacidade de expressão. Também é bom saber e usar a grafia certa das palavras. Crianças que observam pais e professores buscando significados entendem essa atitude como algo natural.

Passeio feliz
Você leva seu filho à biblioteca? Se nunca levou, esta é a hora de começar. Faça uma ficha pra ele agora! Em Araçatuba, na Biblioteca Municipal “Rubens do Amaral”, as inscrições são gratuitas. Há até uma nova hemeroteca sendo organizada depois que as responsáveis participaram do curso do Ler para Crescer. Aproveite!

Brincadeiras
Outra dica: pratique jogos de raciocínio. Brinque com seu filhos e alunos de forca, caça-palavras, palavras cruzadas. São estímulos!

O principal
Você faz o que fala? Seja coerente: suas atitudes refletem o que você pensa. Mostre que estudar é importante e ler, divertido. Estude e leia na frente do seu filho.

Notícia boa
Atitudes como essas estão,sim, modificando comportamentos. Neste mês, durante o 2o. Encontro Nacional do Varejo do Livro Infantil e Juvenil, realizado dentro do 13ª Salão Nacional do Livro Infantil e Juvenil, no Rio de Janeiro, uma pesquisa divulgada pela Câmara Brasileira do Livro apontou que o gosto pela leitura está em alta entre os jovens brasileiros. Do total de 12 mil títulos novos lançados em 2010, cerca de 2,5 mil foram direcionados a crianças e adolescentes.

De acordo com o presidente da ANL (Associação Nacional de Livrarias), Ednilson Xavier, a parte destinada à literatura infantojuvenil já representa cerca de 15% do faturamento das lojas e as vendas do setor cresceram 9,6% em 2010 em relação ao ano anterior.

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