terça-feira, 5 de julho de 2011

Espetáculo infantil é baseado em livro de Cecília Meireles

“No último andar é mais bonito: do último andar se vê o mar. É lá que eu quero morar." O primeiro verso de "O Último Andar", de Cecília Meireles, traduz uma sensibilidade peculiar às crianças e aos poetas. O poema integra "Ou Isto ou Aquilo", livro infantil publicado em 1965 cuja linguagem lúdica inspira o espetáculo "O Último Andar - Uma Brincadeira Poética", produzido pelo grupo teatral Engasga Gato.

Em 2009, o Engasga Gato foi convidado para o Festara (Festival de Teatro de Araçatuba), do qual participou com "Teus Passo, Teus Guia". No mês de junho deste ano, fizeram duas apresentações na região, ambas promovidas pelo Sesc. No dia 10, os artistas realizaram uma leitura dramática de "O Cortiço", romance de Aluísio Azevedo, e no dia 17, encenaram a peça "João de Barros", sua segunda brincadeira poética, desta vez inspirada na obra de Manuel de Barros.


Criada sob encomenda para o Sesc de Ribeirão Preto, "O Último Andar - Uma Brincadeira Poética" transita entre a poesia e as brincadeiras de quintal.

O espetáculo é uma adaptação para a linguagem teatral de 13 dos poemas que compõe "Ou Isto ou Aquilo", entre eles "Leilão de Jardim", "A Língua do Nhem", "Chácara do Chico Bolacha". Aqui os versos são transformados em jogos infantis que seguem um ao outro, na invenção de um mundo diferente. Em imitação ao funcionamento da imaginação infantil, peças do cenário são transfiguradas em objetos diferentes. "Em um momento, uma tábua é uma asa de avião, no outro, ela é posta sobre uma escada e se torna uma gangorra em que brincamos, cantando os versos de "Ou Isto ou Aquilo", exemplifica a diretora Monalisa Machado.

"Com essa aproximação do universo da criança, queremos tirar da poesia aquela aura de intocável", comenta a atriz Poliana Savegnagno. Segundo Monalisa, o tom prosaico de Cecília Meireles contribui para a aproximação entre o público e literatura. "As crianças enxergam poesia como algo distante, o trabalho de Cecília mostra que poesia é algo próximo ao seu dia a dia. Tudo é poesia," completa a diretora.

A presença de Márcio Bá facilita a produção musical. Ele realiza a musicalização de alguns dos poemas, que são cantados como canções de ciranda.

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