sexta-feira, 29 de julho de 2011

Brasileiro combina arroz e feijão com baixa nutrição

Agência Estado

O brasileiro não abre mão do feijão com arroz e tem carne no prato, mas combina o trivial com uma alimentação de alto índice calórico e baixo teor nutritivo. E ainda abusa do sal e do açúcar. É o que revela a Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil, realizada pela primeira vez pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em domicílios visitados na última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2008-2009).

O alimento mais ingerido no País é o café, que lidera a lista da média de consumo diário per capita. Em média, cada pessoa bebe entre quatro e cinco cafezinhos por dia. O feijão é o segundo da lista, com um consumo diário médio equivalente a cinco concha. A pesquisa mostra que os brasileiros consomem um pouco menos quantidade de arroz, pouco mais de uma concha e meia, mas recorrem ao alimento com maior frequência em relação ao feijão.


METODOLOGIA

Para realizar a pesquisa divulgada ontem, o IBGE pediu a 34 mil moradores de 13,5 mil domicílios selecionados em todo o País que registrassem tudo o que ingeriram em dois dias não consecutivos, exceto água. O arroz foi reportado por 84% dos entrevistados em pelo menos um dia, enquanto o feijão apareceu em 72,8% dos questionários. Já o consumo de carne bovina foi relatado por 48,7%.

O brasileiro come, em média, mais carne do que pão: pouco mais de 63 gramas diárias de carne bovina, contra 53 gramas de pão de sal, pouco mais de um pãozinho francês. Curiosamente, o maior consumo de carne não está entre os 25% mais ricos, mas na fração intermediária com rendimento per capita entre R$ 571,00 e R$ 1.089,00: quase 71 gramas por pessoa. Frango e outras aves são frequentes na mesa de 27%.

SAUDÁVEIS
Se a base de carboidratos e proteínas é satisfatória no prato dos brasileiros, o problema está nos acompanhamentos. Segundo o IBGE, só um entre dez brasileiros come as 400 gramas diárias recomendadas pelo Ministério da Saúde de frutas, verduras e legumes, que são fontes de fibras.

Apenas 16% dos ouvidos reportaram ter comido salada crua em pelo menos um dos dias avaliados.

Por outro lado, o alto consumo de processados se expressa na ingestão de sódio e gordura saturada acima dos limites saudáveis em todas as faixas etárias. Já o abuso generalizado do açúcar identificado pelo IBGE aparece no alto consumo diário de refrigerantes (94,7 ml), sucos e refrescos, inclusive em pó (145 ml). "O brasileiro come muito e come mal. Come muito do que não deve e pouco do que deveria", afirmou Rosely Sichieri, pesquisadora que participou da pesquisa.

Ela chama a atenção para a maior concentração do consumo de alimentos como biscoitos recheados, salgados fritos e sanduíches entre os adolescentes, que também são os que menos procuram itens mais saudáveis.

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