quinta-feira, 16 de junho de 2011

Telescópio espacial CoRoT descobre planetas extra-solares

Novas descobertas começaram a ser estudadas em 2009
 Por Victor Francisco Ferreira - Agência USP

A equipe do satélite franco-europeu-brasileiro CoRoT (Convection, Rotation and planetary Transits) anunciou nesta terça-feira (14) a descoberta de dez novos planetas. O CoRoT, liderado pela Agência Espacial Francesa (CNES), tem como uma de suas missões a descoberta de planetas extra-solares (aqueles encontrados fora do sistema solar) e conta com a participação de cientistas brasileiros do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP.

Os planetas foram nomeados de CoRoT-16b à CoRoT-23b, além dos CoRoT-24b e 24c, um sistema com dois planetas do tamanho de Netuno que orbitam uma mesma estrela. Dos dez planetas descobertos, sete são “Jupiteres quentes”, (gigantes gasosos com massa superior à de Júpiter e órbitas muito próximas de suas estrelas). Alguns deles possuem densidades extremamente elevadas.
 
Processo
De acordo com o professor Sylvio Ferraz Mello, do IAG, participante do projeto, as observações iniciais dos corpos agora divulgados foram feitas em 2009. Ele explica o processo de descoberta e caracterização dos planetas: “Primeiro, o satélite descobre o objeto, que entra em uma lista de objetos suspeitos. Essa lista tem hoje tem mais de 500 corpos, possíveis planetas. Depois, para verificar se é um planeta ou não, é necessário fazer observações do solo, por intermédio de medidas de velocidades das estrelas que são feitas no Observatório Europeu Austral (ESO), no norte do Chile, e em outros grandes telescópios do Hemisfério Norte . Quando se tem a confirmação de que o corpo estudado é um planeta os dados do CoRoT são analisados em conjunto com os dados dos estudos em solo. A partir daí é feita a caracterização dos planetas, como determinação de sua massa e densidade, de sua órbita, de sua estrutura interna e de possíveis efeitos de maré. Todo o processo dura cerca de dois anos”, explica.


 Brasil na missão
O Brasil é parte da missão, com os mesmos direitos de outros países, e possui uma estação receptora em Natal, no Rio Grande do Norte. As contribuições do IAG na caracterização dos exoplanetas descobertos pela missão CoRoT são nas áreas de determinação de órbitas e de estudo dos efeitos de maré. Existe ainda um grupo, liderado pelo professor Eduardo Janot Pacheco, que não trabalha com exoplanetas, mas com sismologia de estrelas.

Os efeitos de maré são deformações do planeta que acarretam dissipação de calor no seu interior que alteram a órbita dos planetas (que assim perdem energia) e podem, com o tempo, fazer com que eles caiam na estrela. Um dos planetas divulgados, o CoRoT-20b, é considerado especial pois tem altas massa e densidade e se move em uma órbita muito excêntrica. “Nele, o efeito da maré não é muito forte. As velocidades de rotação da estrela e do planeta e a velocidade do movimento do planeta ao redor da estrela estão mudando simultaneamente. No futuro, o sistema ficará com movimentos sincronizados entre a rotação da estrela, a rotação do planeta e o movimento orbital do planeta ao redor da estrela. Ou seja, sempre as mesmas faces do planeta e da estrela estarão de frente”, afirma o professor Ferraz Mello.

Com as descobertas anunciadas, o CoRoT já descobriu ao todo 25 exoplanetas. O satélite monitora dezenas de milhares de estrelas ao mesmo tempo e busca detectar as minúsculas diminuições periódicas em seus brilhos, causadas por planetas ao passarem em frente ao disco de sua estrela.

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