terça-feira, 14 de junho de 2011

Sinal amarelo

 Por Roelf Cruz Rizzolo


Nesta última quinzena não pararam de acender os sinais amarelos. Perigo por todos os lados.

O primeiro veio por meio da Organização Mundial da Saúde (OMS) e seu aviso sobre a possibilidade de telefones celulares provocarem tumores no cérebro. O segundo foi dado pelo Fundo Mundial para Pesquisa sobre o Câncer (World Cancer Research Fund , WCRF), uma das organizações internacionais mais importantes na área de prevenção do câncer, anunciando a forte correlação entre o consumo de carne vermelha e o surgimento do câncer de intestino. Finalmente, até as bactérias Escherichia coli, geralmente tão bem comportadas em nosso intestino, começaram a matar gente na Europa.

Mas, apesar de tantos alarmes, nada de novo. Parafraseando Gabriel García Márquez, boa parte das notícias é quase que a "Crônica de uma morte anunciada". Anunciada inclusive nesta coluna.
Sobre os telefones celulares, na edição de 16/08/2008 (Usar telefone celular aumenta risco de câncer?) já alertávamos:


"Mas o fato que disparou o alarme foi um anúncio feito em julho deste ano pelo Diretor do Instituto do Câncer da Universidade de Pittsburgh (...). O cientista, através de um comunicado interno enviado aos mais de 3000 funcionários do instituto, recomendou que a utilização de telefones celulares deveria ser reduzida em virtude do risco de câncer. Em seu informe o Dr. Herberman admite que as evidências ainda são insuficientes, mas afirma estar convencido que já existe a necessária informação que autorizaria emitir esse tipo de aviso (...)".

Não há muita diferença entre esse anúncio e o feito agora. A própria OMS ainda não publicou o estudo que a autorizaria a fazer esta comunicação, apenas um press release. Telefone celular aumenta o risco de câncer no cérebro? Não sabíamos em 2008 e não sabemos agora.

Mas não custa tomar alguns cuidados, entre os quais evitar a utilização de telefone celular em lugares públicos -como ônibus- para não expor seus "vizinhos" à radiação que você provoca; não manter o celular perto do seu corpo durante a noite; restringir as chamada ao mínimo possível; tentar não utilizar o celular onde o sinal seja fraco ou quando estejamos nos movimentando em grande velocidade -como no carro, ônibus, trem- já que para encontrar sinal, o telefone usa mais (e emite mais) energia; usar alternadamente o telefone ora na orelha esquerda, ora na direita, para não concentrar a energia emitida em apenas uma parte do cérebro.

Sobre o perigo das bactérias, em fevereiro de 2009 comentávamos sobre o surto epidêmico da bactéria Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA, o perigo nos espera no mar, 21/02/2009).

Agora parece ser uma cepa mutante de Escherichia coli, muito agressiva e resistente aos antibióticos a responsável pelo estrago. Por trás desses ataques bacterianos, geralmente encontramos nossa imprudência e irresponsabilidade, como já alertávamos em 2009: "Cada vez que utilizamos mal um antibiótico, seja por que ele não era necessário (...), ou por que paramos de usá-lo antes da hora, ou por que o ingerimos sem saber nos alimentos como carne e leite, e estamos através de processos da seleção natural darwiniana selecionando, para nossa desgraça, as bactérias mais aptas (...)".

Neste caso tivemos uma pequena mudança. A legislação sobre antibióticos está mais restritiva e estes agora só podem ser vendidos com receita médica. Mas suspeito que na indústria agropecuária continuamos a utilizar antibióticos sem o devido controle.

No terceiro sinal, em um relatório de mais de 850 páginas analisando 263 trabalhos científicos publicados até hoje sobre o assunto, cientistas do WCRF concluíram que existem evidências convincentes que indicam que o consumo de carnes vermelhas (boi, porco, cordeiro, carneiro) e carne processada como bacon, salsichas, linguiças, presunto, carne seca, e carnes usadas em enlatados, pizzas congeladas e em recheio de massas congeladas, está associado ao aumento de risco de contrair câncer de intestino.

Segundo um dos responsáveis pelo relatório, o professor Alan Jackson da Universidade de Southampton (Reino Unido), trata-se do estudo mais amplo e atualizado sobre o assunto já publicado. De acordo com o relatório, carne processada deveria ser simplesmente evitada e o consumo de carne vermelha reduzido a no máximo 500 g por semana.

Tantos perigos podem nos deixar bastante atordoados. A percepção é que são tantas as coisas que nos ameaçam que praticamente não podemos fazer nada que nos dê prazer. Mas não é bem assim. É necessário sempre analisar estas informações com bom senso. Há riscos que podemos evitar, outros não.

A poluição do ar e o cigarro são cancerígenos. Para os paulistanos é impossível não aspirar o ar poluído da cidade, mas é possível parar de fumar. Para alguns, deixar de usar o telefone celular é algo hoje em dia bem difícil, mas impedir que as crianças estejam todo o dia com o celular na orelha é possível.

O importante é que estejamos sempre bem informados. O que fazer com essa informação dependerá em última instância da nossa responsabilidade e bom senso.

Um comentário:

  1. na minha opinião existêm certas restrinções já que somos imfluêniados pela religião e a ciência
    e de certa forma temos uma certa liberdade que deve ser respeitada assim como a liberdade do próximo já que todas as liberdades nunca são iguais então porisso devemos ter cuidados e ter bom senso que construíms o senso comun

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