sexta-feira, 24 de junho de 2011

A revolução silenciosa do Ler para Crescer

Milton Rodrigues
Criado há quase duas décadas com a missão de despertar em crianças e adolescentes o gosto pela leitura e o desenvolvimento do senso crítico, o projeto Folha da Região na Sala de Aula cresceu, virou Ler para Crescer e começa a se transformar numa rica troca de conhecimentos. Talvez uma das lições mais marcantes da nova fase do programa seja exatamente a constatação inequívoca de que o processo de aprendizado é eterno, e quem está ensinando também continua aprendendo a cada dia, a cada gesto, a cada manifestação curiosa de meninos e meninas, todos ávidos por descobertas. A fase atual do projeto tem proporcionado à Redação da Folha uma experiência absolutamente gratificante.


No começo, eram algumas dezenas, que se transformaram em centenas. Ao visitar o ambiente onde o jornal é produzido, os estudantes conhecem as etapas de produção prática, mas fundamentalmente passam a entender um pouco mais o significado e a influência de uma notícia, para o bem ou para o mal, no cotidiano da população, e inspiram os próprios jornalistas. Todos refletem não só sobre técnicas de apuração e produção de um texto, mas também sobre a importância de interpretar a mensagem do ponto de vista de emissores e receptores.

A proposta do programa defende que, para crescer, não basta ler. É preciso entender o que está escrito e, a partir daí, acumular, aos poucos e sem parar, uma bagagem cultural que vai acompanhar, pelo resto da vida, a criança de hoje e o homem de amanhã. Ao centralizar seu foco na sala de aula, o programa proporciona esse conhecimento exatamente na fase em que a vida de cada pequeno cidadão está reforçando o seu alicerce, criado lá no berço, para que possa fazer suas escolhas e desenvolver um estilo de conduta capaz de revelar os mais diferentes caminhos, preferencialmente a trilha dos homens de bem.

Crianças de 2 a 5 anos, da Arco-Íris, de Guararapes
O menino de hoje, homem de amanhã, que estuda e se ocupa de atividade extra - nos estudos, na atividade cultural e na prática do esporte, por exemplo - não tem tempo nem interesse para pensamentos desregrados e práticas perniciosas. Experimenta a evolução cultural e a integração social, busca a qualificação que vai transformá-lo, mais tarde, em pai exemplar e agente multiplicador de conhecimentos. Está formado aí o que podemos chamar de círculo das virtudes.

Ao apostar no programa Ler para Crescer, a Folha cristaliza a sua certeza de que é possível promover uma verdadeira revolução por meio da educação. Uma revolução silenciosa, que nos faz lembrar uma obra-prima de Roberto Carlos, na interpretação da sua “Guerra dos Meninos”.

Na sua metáfora, o artista lembra que saiu cantando um pequeno hino e, de repente, viu que alguém também cantava. E sentencia: “Vi minha esperança na voz de um menino que, sorrindo, me acompanhava”. E chegou a uma conclusão: outros, que brincavam mais além, também vieram, e aquele movimento se transformou em um batalhão de paz, que cada vez crescia mais. Esta é a revolução no melhor sentido da palavra.

Milton Rodrigues é editor-chefe da Folha da Região.

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