terça-feira, 28 de junho de 2011

Qual é a origem de "você"?

Por Hélio Consolaro

Quando se quer explicar que as palavras evoluem no decorrer do tempo a um leigo da etimologia, pega-se a palavra você. Vou usar algumas dicas da professora Sílvia, que é professora de Português na Argentina. O ensino de nosso idioma e a moeda brasileira avançam assustadoramente naquele país.



“Você” é forma evoluída do pronome de tratamento “vossa mercê”, assim: “vossa mercê”, “vossemecê”, “vosmecê”, “você”. E na fala já usam “ocê” e “cê”.

Na prática, seu emprego é de segunda pessoa, já que é usado com referência à pessoa com quem se fala (tu) e não à pessoa de quem se fala. Entretanto, em razão da origem, “você” é pronome de tratamento - da mesma forma que “Vossa Excelência”, “Vossa Senhoria”, “Vossa Majestade”,“Vossa Alteza” e outros - e como tal é da terceira pessoa do singular (plural: vocês). Por isso, leva o verbo para a terceira pessoa: “Você é meu amigo” e “Vocês podem ir”.

“Você” é utilizado como sujeito, agente da passiva e adjunto adverbial, como em “Você já disse o que quer”, “Cátia foi nomeada por você” e “Quero ir com você”. No padrão coloquial, também aparece como predicativo, especialmente no plural: “Este livro é de vocês?”. Esse pronome funciona também como objeto, mesmo na língua culta: “Quero você para mim” e “Não darei a você esse gostinho”.

“Você” é largamente empregado na maior parte do território brasileiro, com exceção do Sul e de algumas áreas do Norte e Nordeste - em que se usa tu -, para expressar intimidade, para indicar relação de igual para igual ou relação superior/subordinado e mais velho/mais jovem. Os gaúchos usam “tu”, mas o verbo sempre fica na terceira pessoa. Em Portugal, ele também existe, mas é sobrepujado em uso por tu.

Por que os pronomes de tratamento são de terceira pessoa, uma vez que se referem à pessoa com quem se fala (segunda)?

Há duas explicações. A primeira, pela dificuldade encontrada pelo usuário da língua a conjugar os verbos na segunda pessoa (singular e plural, tu e vós).

A segunda atribuí tal fato a razões históricas: no passado, não era considerado apropriado alguém se dirigir diretamente a autoridade ou a pessoa de classe social superior, usando pronome de segunda pessoa (tu, vós). Os costumes requeriam o emprego de formas indiretas, pelas quais se fazia referência aos atributos do interlocutor.

Daí os pronomes “Vossa Excelência”, “Vossa Majestade”, “Vossa Reverendíssima” e outros serem de terceira pessoa (forma indireta) e levarem o verbo, pronomes oblíquos e possessivos para a mesma pessoa.

Como exemplos atuais dessa comunicação indireta, temos: “Meu pai gostaria de levar-me ao shopping?” (em vez de “Pai, quer me levar ao shopping?”) e “A filhinha agora vai tomar sopinha” (em lugar de “Filhinha, agora você vai tomar sopinha”).

Fiz algumas intervenções na explicação da professora Sílvia, mas ela demonstrou que conhece muito bem o português.

Palavra da  Semana
Corpus Christi
Expressão latina que significa Corpo de Cristo. Festa que é realizada na quinta-feira posterior ao domingo da Santíssima Trindade. Ela celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia. É uma festa para os católicos. O comparecimento à missa neste dia é obrigatório. A procissão pelas vias públicas, quando é feita, atende a uma recomendação do Código de Direito Canônico.

Teste da Semana
No dia 12 de junho, eu estava na missa do ex-padroeiro de Araçatuba, o Onofre, na capela dele tão bem cuidada pela professora Ivana, av. Mário Covas, e ouvi algumas pessoas chamarem-no de “Santo Onofre”, e outras, de “São Onofre”. Que forma está correta?

A forma correta é “Santo Onofre”, porque o nome do santo começa por vogal, como: Santo Antônio. Já São João, São Pedro e outros começam por consoante, então, usa-se a forma “são”.

Teste da Semana
Quando o homem deve tratar a sua companheira de “esposa” e em que circunstância tratá-la de “mulher”?

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