terça-feira, 28 de junho de 2011

Por Charles Borg

Gedeão ganhou no grito! É um dos episódios mais cativantes na história do povo de Israel. Gedeão foi escolhido por Deus para libertar o povo do terror dos madianitas. Orientado pelo Criador, escolheu 300 homens e combateu com sucesso um adversário, mais numeroso e mais preparado belicamente, recorrendo a uma genial estratégia. Cercou, à noite, o acampamento inimigo e, dado o sinal previamente combinado, os 300 homens fizeram uma tremenda de uma algazarra a ponto de assustar o inimigo que, sonolento e completamente desorientado, investiu contra os próprios soldados. Fazendo barulho, Gedeão recuperou a paz a tranquilidade para o seu povo. E fez escola!


Grupos minoritários recorrem, periodicamente, à tática de Gedeão para conquistar espaços. Um dos mais recentes exemplos é a pressão pela liberalização das manifestações a favor do uso da maconha. O STF julgou procedente o pleito dos defensores da maconha de manifestar publicamente as suas opções. Deixou claro, evidente, que não se tratava de uma apologia ao uso da maconha. Apenas resguardava o direito desses grupos de manifestar suas preferências. No entanto, não são necessários profundos argumentos para prever a provável confusão entre o conceito, justo, da liberdade de expressão e a apologia, equivocada, para o uso do entorpecente.

Embora uma postura nada, rigorosamente, tenha a ver com a outra, inegável fica a sutil aprovação ao uso sem medo da chamada droga ‘inofensiva’. A esta altura talvez o mais correto fosse verificar a verdadeira representatividade dos grupos que defendem o uso sem culpa da maconha. Pelo barulho que fazem, presume-se tratar-se de grandes mobilizações. Na realidade, os defensores da flexibilização são grupos reduzidos, bastante ativos apenas e barulhentos. A mais primária coleta de opiniões entre amigos e conhecidos seria suficiente para confirmar que a grande maioria da população olha com restrição e inquietação a apologia ao uso da maconha. Famílias que passaram, ou passam, pela devastadora experiência de abrigar um viciado se arrepiam diante do perigo. Em tese, algumas doutrinas soam até atraentes, mas quando aplicadas na prática as consequências são imprevisíveis.

Esses grupos recorrem à esperta tática de Gedeão. O líder bíblico confundiu os inimigos pelo volume do barulho e pelo fato de investir contra ele enquanto dormia. Outro detalhe, este que merece a acurada atenção de toda gente de boa vontade, a sociedade anda sonolenta. Aceita passivamente manifestações de consequências dúbias só porque fazem barulho. Parece heresia questionar a tese da descriminalização. A sociedade se cala por recear manifestar opiniões críticas a essa causa. Gente influente se omite para não aparecer retrógrada, medieval. A sociedade se encolhe por querer aparecer moderna, liberal. Por comodismo, em suma.

A causa defendida por esses grupos não é tão inocente nem inofensiva como insistem em propor. No caso específico da maconha sem culpa, o risco do iniciante se tornar dependente é sério e real. Cientistas de respeito e profissionais que trabalham na recuperação de adictos advertem que esta abertura tende a promover, sim, o aumento do consumo.

Alertam médicos e terapeutas que o conceito da maconha ser uma droga leve deve ser enfaticamente combatido. Concentra a droga elementos psicoativos altos e o efeito no cérebro é maior do que se imagina. Estatísticas garantem que um em cada dez usuários da maconha sofrerá surtos psicóticos, de consequências imprevisíveis, quando não trágicas.

A compulsão para o consumo será cada vez mais forte, real e ameaçadora. Basta conferir o que aconteceu em países onde o uso foi liberado. Houve aumentos de até 50% em número de adictos! Alega-se, como um dos fundamentais argumentos, que a liberalização da erva diminuirá o índice de criminalidade. Engano, quem trabalha na área garante que o comércio livre da maconha aumentará ainda mais a criminalidade. Vale registrar, por fim, que o comércio da maconha é um dos mercados mais rentáveis!

Urgente se faz a sociedade acordar. Aprender, ela também, a recorrer à estratégia de Gedeão. Sem pejo, a sociedade precisa fazer ruído, para que os usuários sintam constrangimento e remorso ao usar, e os comerciantes da erva, culpa, por porem em real risco um número sem conta de vidas.

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