terça-feira, 28 de junho de 2011

Politicamente incorreto

Por Tito Damazo 

Trata-se de um tempo em que o politicamente correto baliza a vida de um modo geral. Em tudo há que ser assim. Se não o for, quem teima em não aceitar as coisas dadas como são é visto de viés, subestimado.

A moda dita as normas. A moda padroniza. São atrasados, ultrapassados, pejorativamente tidos como conservadores, imediatamente tachados de reacionários, os que, por alguma razão, põem em questão os dogmas estabelecidos pela nova ordem mundial.


País que apresenta divergências, oposições à globalização é um caso de enquadramento nesses estigmas. Todos os que pugnam por uma reforma agrária justa, moderna, oposta ao puro e simples assentamento, são interpretados como radicais inimigos do agronegócio. Todos os que defendem uma política de privatização de alguns setores da economia como forma de desincumbir o Estado de perdulários ônus; todos os que apontam problemas que consideram perigosos acarretados por novas tecnologias; todos os que impõem certas restrições à fugacidade do consumo da moda de vestimentas femininas, masculinas, juvenis, infantis; todos os que discordam da catástrofe iminente sobre o meio ambiente; todos os que apresentam certas restrições à abolição pura e simples da energia nuclear; todos os que fazem algumas objeções aos movimentos feministas, casamento entre gays, pró-aborto; todos os que insistem contra a cura de doenças pela medicina não alopática; todos os que fazem objeções aos dogmatismos, etc, etc.

Se em grande parte dos países se mantém, ou se restaurou a democracia, segundo a qual é proibido proibir, é fundamental a plenitude e integridade da condição humana, eliminando, pois, quaisquer forma de ditadura política, ainda assim, parece deles tomar conta a "ditadura" do politicamente correto.
Há fundamentações para o politicamente correto, muita vez, de graves consequências em algumas situações, as quais mais parecem expor, tornar vulnerável a segurança e integridade dos cidadãos, do que outra coisa.

Certo, é direito do assassino consumado ter plena defesa jurídica. Se condenado, ser aprisionado para o cumprimento de pena. Mesmo que não seja prescrita, ou reduzida por vários arguentos e procedimentos, será, posteriormente, reabilitado ou não, reconduzido à liberdade como cidadão. Todavia, a vítima assassinada teve o seu pleno direito e integridade de vida irreversível e definitivamente interrompidos. Ora, dir-se-á, é a vida, são as contingências da vida. Mas, em hipótese alguma, não poderia. De qualquer forma, é assim: a manutenção de uma vida em detrimento de uma vida que violenta e barbaramente interrompeu.

Se se toma o sistema de ensino de décadas para cá, tem-se que garantir vaga nas escolas a todos, indistinta e indiscriminadamente, é decisão democrática irreparável. Eliminar a reprovação, estabelecendo-se a progressão continuada e ininterrupta na consecução de conhecimentos, habilidades e competências é verdadeiramente procedimento politicamente correto.

Todavia, não o pode ser ingênua, equivocada e deturpadamente, sob pena de a quase totalidade dos alunos atendidos chegar ao término de sua escolaridade com nível de qualidade dos piores de quanto se tem notícia na história da Educação. Diante dessa conse-quência, o que se tem é um politicamente correto nefasto, como quase todos os outros na formação de todos os cidadãos, assegurando-lhes o inalienável e democrático direito de igualdade, dignidade e liberdade de plena decisão sobre si mesmo.

Poder-se-ia mesmo afirmar, em situação como essa, que se está, ao contrário, frente à manutenção de uma discriminação de toda ordem (política, social, econômica, cultural, estética). Sedimenta-se a continuidade de ordem unida do "politicamente correto", tornando, no caso, o ensino formal, especialmente o público oficial, falido, inútil na verdadeira promoção e ascensão social dos que o buscam e frequentam.

Assim, mantém-se uma sociedade com seu profundo e enorme fosso de diferença e disparidade social. Numa ponta milhões abaixo da tal linha de pobreza, na outra, algumas centenas de cidadãos além da linha de riqueza.

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