quarta-feira, 8 de junho de 2011

Circo de um só palhaço

Por Talita Rustichelli



Ao colocar um nariz de palhaço, o ator acende uma vela. Ilumina o espaço ao seu redor, ilumina-se para o público e traz um pouco do lúdico para a realidade. Seja ele ladrão de mulher, apaixonado pela bailarina, triste ou alegre, o palhaço é o signo do circo e sai do picadeiro para viver suas trapalhadas no palco de teatros ou nas ruas.

Com o espetáculo infantil "Circo de Quintal", que une circo e teatro, a Cia. Amado Amado de Teatro, de Birigui, conquistou, no fim de semana, os prêmios de Melhor Espetáculo Infantil, Melhor Direção e Melhor Cenografia no 10º Festaett (Festival de Teatro da Estância Turística de Tupã), e venceu as categorias de Melhor Ator, Melhor Cenografia e segundo Melhor Espetáculo no 10º Feteapp (Festival de Teatro de Paraguaçu Paulista). A montagem traz no roteiro as confusões do palhaço Popó na tentativa de manter seu espetáculo no circo.


O Festaett aconteceu de 28 de maio a 4 de junho e teve a participação de 12 espetáculos de diversas cidades do estado de São Paulo, como Americana, Limeira, Presidente Prudente, Adamantina, Santos e São Bernardo do Campo, e de outros estados, como Três Lagoas (MS) e Londrina (PR). No Fenteapp, realizado entre os dias 28 de maio e 5 de junho, a companhia competiu com grupos de Ribeirão Preto, Presidente Prudente, Birigui, São Paulo e Catanduva.


Único grupo a representar a cidade de Birigui em ambos os festivais, a Cia. Amado Amado está feliz com os resultados obtidos. "Nós realizamos uma proposta de trabalhar o teatro não só para agradar ao público, mas também na tentativa de desenvolver um conceito crítico", explica Vagner Silva, ator e cenógrafo que vive o palhaço no espetáculo e assina a direção junto com o diretor geral da companhia, Paulo Souza.

PARÓDIAS
O espetáculo tem apenas um ator em cena: um palhaço que realiza diversas confusões por meio de paródias aos outros números circenses. "Antigamente, o palhaço fazia paródias entre um número e outro. Da mesma forma, no 'Circo de Quintal' o palhaço se utiliza de números como malabarismo, domador de feras, mágica e circo de marionetes, para provocar o riso", explica Silva.

Para a concepção da peça, o grupo visitou circos em Birigui e Araçatuba e recorreu a pesquisa em livros como "Palhaços", de Mario Fernando Bolognesi, e "A arte de não interpretar como poesia corpórea do ator", de Renato Ferracini, e filmes como "I clowns" de Federico Fellini, e "Os Saltimbancos", dos Trapalhões, entre outros.

O processo de montagem teve início no final de 2008, tendo como apoio o vasto material de pesquisa do ator Vagner Silva, que atua como palhaço e formador de arte circense há dez anos. Em 2009, o grupo recebeu para a montagem orientações de profissionais selecionados pelo Projeto Ademar Guerra, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.

FESTIVAIS
Para Silva, a participação em festivais é importante não só para que os grupos mostrem seus espetáculos, mas também para que seja feito um "intercâmbio teatral". "Podemos ter parâmetros sobre o que está sendo produzido por aí”.

De acordo com Alexandre Melinsky, diretor teatral, coordenador do curso técnico de Artes Cênicas do Senac Araçatuba e Diretor Municipal de Cultura, ambos os festivais têm visibilidade no estado de São Paulo. Melinsky foi um dos jurados no festival de Tupã e afirma ser de grande importância a participação dos grupos. "Os dois festivais são bem organizados e os grupos que participam, além de mostrar seu trabalho para as cidades, podem trocar informações e experiências entre si", afirma.


Espetáculo estreou em 2009 e já soma mais de 20 prêmios em festivais
O espetáculo "Circo de Quintal" estreou em 2009 e desde então percorreu mais de 50 cidades nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás. Com ele, a Cia. participou de 12 festivais de teatro e foi premiada em todos os de caráter competitivo, somando mais de 20 prêmios.

No segundo semestre de 2011, o espetáculo integrará a programação do "Mosaico teatral", do Sescoop SP (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo), projeto que promove apresentações teatrais vinculadas a campanhas sociais no Estado de São Paulo. Em 2010, o espetáculo foi selecionado pelo Proac (Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo), da Secretaria de Estado da Cultura, pelo qual foram realizadas 10 apresentações.

Vagner Silva é o responsável também pelo roteiro e cenografia do espetáculo, e participou da trilha musical, produção de bonecos, figurinos e adereços. Na ficha técnica, há ainda: Paulo Souza (direção, desenho de luz, operação de som e luz), Flávio Lanças e Maira Rebeque de Machado (orientação), Cibelle Cremon (preparação corporal), Marcos Tinarelli (pesquisa e composição musical), Fátima da Silva Ferreira (bonecos, figurinos e adereços), Edwilson Ferreira (fotos), e Tiago Junqueira e Fabrício Matos (programação visual).

COMPANHIA
A Cia. Teatral Amado Amado foi fundada no ano de 2000 e, segundo o ator Vagner Silva, seus trabalhos são pautados no potencial educativo, lúdico e artístico das artes cênicas. Em seus onze anos de existência, a Cia. agregou ao seu repertório sete espetáculos: "O Céu uniu dois corações" (2000), "Dona Lustroza e o Mistério do Circo" (2001), "Valsa n.º 6" (2002), "A Terceira Margem do Rio" (2003), "Poeta" (2005), "Mulher sem Pecado" (2007) e o "Circo de Quintal".

Nenhum comentário:

Postar um comentário