quarta-feira, 22 de junho de 2011

Ary Bocuhy faz projeto para alfabetizar com jornal

Da Redação
Construindo e Alfabetizan do através do Jornal. Este é o nome do projeto que o Cemfica (Centro Municipal de Formação Integral da Criança e do Adolescente) Ary Bocuhy, de Araçatuba, está desenvolvendo com os alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. As crianças estão conhecendo mais sobre português, matemática, história, geografia, ciências e arte por meio das páginas da Folha da Região.

A ideia do projeto surgiu depois que a coordenadora da escola, Rita de Cássia Minari Gonçalves, participou dos cursos de formação continuada para professores do Ler para Crescer no início deste ano.

Ao inscrever a escola no programa, Rita passou a receber uma assinatura gratuita do jornal diário, disponibilizado aos professores e alunos, mais 20 exemplares semanais da Folha para atividades em sala de aula. É com este material que ela e os professores têm trabalhado nas últimas semanas.

PRAZER
Os educadores envolvidos no ‘Construindo e Alfabetizando através do Jornal’ acreditam que toda criança deve alcançar o prazer da leitura e de ser capaz de expressar-se por escrito. “No entanto, com as práticas convencionais, infelizmente isso ainda ocorre”, dizem. Segundo eles, o que acontece geralmente é que a escrita se confunde com a possibilidade de repetir fórmulas estereotipadas ou que se pratique uma escrita fora de contexto, sem nenhuma função comunicativa real e nem, sequer, com a função de preservar informação.

“A alfabetização não é um estado ao qual se chega, mas um processo cujo início é, na maioria dos casos, anterior à escola e não termina ao finalizar as primeiras séries escolares. Ela pode ser uma tarefa interessante, que dá lugar a muita reflexão e a muita discussão em grupo, principalmente quando a língua escrita se converte num objeto de ação e não de contemplação”, afirma a coordenadora Rita,

“Há que se alfabetizar para ler o que outros produzem ou produziram, mas também para que a capacidade de ‘dizer por escrito’ esteja mais democraticamente distribuída. Alguém que pode colocar no papel suas próprias palavras deve ser alguém que não tem medo de falar em voz alta; posicionar-se”, completa.

O JORNAL
Os educadores do Cemfica Ary Bocuhy escolheram trabalhar com o jornal em sala de aula porque ele é um meio de comunicação que tem como objetivo primordial levar a informação de um modo rápido e eficaz à população, sem distinção de classes sociais, através de estruturas linguísticas próprias, o que o diferencia dos outros meios de comunicação. “Acreditamos que esse é um instrumento fundamental para quem alfabetiza numa linha construtivista”, afirmaram.

Com a utilização do jornal em sala de aula, professores e alunos vão conhecer os estilos textuais, desenvolver o hábito de uma leitura informativa, e conhecer a elaboração e os profissionais que são responsáveis pela organização do jornal. Aproximadamente 60 pessoas - entre alunos, professoras e coordenadora - estiveram conhecendo a redação, a TV e o parque gráfico, nos períodos da manhã e tarde.

Em sala de aula, agora farão pesquisas, produção de textos, confecção de cartazes, entrevistas e até atividades de reciclagem. Todas essas ações devem promover o gosto pela leitura, o hábito da pesquisa, a formação de um indivíduo crítico, e a realização de trabalho em grupo mais efetivo, acreditam os professores.

INTEGRAÇÃO
O fio condutor do projeto é que o aluno interaja com outros meios para desenvolver a linguagem e a escrita, de maneira prazerosa, saindo da rotina ou do tradicionalismo. Para isso, durante quatro semanas foram desenvolvidas atividades simultâneas.

Em português, por exemplo, os estudantes foram estimulados a abrirem o jornal e explorá-lo livremente, com direito a fazerem comentários de textos e fotos com outros colegas e professores. “Este contato com o material é muito importante para que haja um entrosamento do aluno com o jornal”, defendem os educadores.

Depois desta etapa inicial, todos escolheram palavras que despertaram interesse na leitura e os professores puderam trabalhar, então, conceitos como o de palavras maiúsculas e minúsculas, transcrição de manchetes, uso de dicionários, confecção de cartazes, e produção de texto verbais e não-verbais, incluindo histórias em quadrinhos.

Na sondagem após a atividade, os educadores perceberam que os alunos já conseguem absorver das palavras que foram apresentadas e estudadas através do jornal.

VALORES
Na área de matemática, os estudantes trabalharam com a seção dos classificados. Descobriram o que se pode comprar e vender pelo jornal, e o quanto custa cada coisa, iniciando a noção de valores. Ao mesmo tempo, analisando o conteúdo do veículo de comunicação, também tiveram noção de quantidade de matérias, o preço do jornal entre outras atividades que envolveram tipos de numeração.

Especificamente com encartes de supermercados, exploraram os preços dos produtos promocionais, inclusive comparando os preços entre diferentes estabelecimentos, aproveitando, desta forma, para trabalhar o tema transversal “consumo”.

Em história e geografia, pesquisaram os fatos marcantes da semana, as manchetes principais, e estão fazendo murais semanais destes recortes. Os estudantes também têm comparado a previsão do tempo que o jornal apresenta com a temperatura do dia. Outra atividade de destaque tem sido identificar as pessoas conhecidas que aparecem no jornal, como esportistas, artistas e outras celebridades. Desta pesquisa, nasceu a ideia do
‘Painel de Celebridades’, onde as fotos são identificadas com o nome e a área de destaque de cada pessoa.

Em ciências, a iniciativa foi trabalhar com o tema reflorestamento. Primeiro, o professor levantou algumas questões importantes: De onde vem a matéria-prima que faz o jornal? Como é o produzido o papel jornal?

A partir desta ideia, foi explicado o que é reciclagem e para que ela serve.
Em outras ocasiões, utilizando-se de outras matérias publicadas no jornal, foram debatidos assuntos de saúde, meio ambiente e animais.

ARTE
Desde que começaram o projeto com as aulas com jornal, foram organizadas oficinas onde os alunos têm produzido objetos com as páginas do jornal, cestinhas, porta-lápis, chapéus, barquinhos, caixinhas, entre outras. A decoração da festa junina da escola, por exemplo, foram caixinhas feitas com jornal e enfeitadas com balões coloridos que armazenaram doces, como paçoca, pé-de-moleque, entre outras guloseimas.

Outra atividade foi a confecção de fanzines, jornais produzidos pelos próprios alunos por meio da colagem de figuras e produção de textos em folhas sulfite e até mesmo cartolina. Durante a visita de ontem na Folha, a coordenadora Rita se mostrou muito otimista com relação ao trabalho. “Nós estamos muito felizes com o resultado”, afirmou

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