quinta-feira, 30 de junho de 2011

Adolescentes e drogas

Por Maria Lúcia Lacal Cox D’Avila 

Nos últimos dez anos, o uso de drogas entre os adolescentes aumentou de modo tão alarmante que hoje já pode ser considerado um problema de saúde pública. Tal acontecimento era previsível uma vez que, em 2001, o primeiro levantamento domiciliar sobre o uso de substâncias psicoativas no Brasil, realizado pelo Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas) já apontava que as crianças e os adolescentes usuários eram a parcela da população mais exposta ao uso dessas substâncias, com o agravante que quanto mais precoce o início, piores as consequências.


Mesmo que a preocupação decorrente dos dados levantados pela pesquisa epidemiológica tenha dado ensejo, em 2002, à criação do Programa Nacional de Atenção Comunitária Integrada a Usuários de Álcool e outras Drogas e Centros de Atenção Psicossocial para Álcool e outras Drogas, os CAPS - AD, desde então poucos foram os esforços de atenção concentrada para beneficiar adolescentes usuários.

Desse modo, chegamos a 2011 com a triste constatação que consumo de substância psicoativa lícita como o álcool e experimentação de outras drogas estão tão difundidos entre os adolescentes que acabaram por transformar-se em comportamento normativo do desenvolvimento nesse período, como se fazer uso ou experimentar equivalesse a ter autonomia para fazer as próprias escolhas, ser aceito no grupo, ser adulto, ou outras ideias equivocadas.

Iludidos por esse falso rótulo, pais e autoridades não se preocupam o suficiente por entenderem que o problema deixará de existir quando os jovens se tornarem adultos. Porém, enquanto uma parte dos jovens chegará à vida adulta responsável e fora das drogas, outra parte será de adultos dependentes químicos, ou talvez nem chegue à vida adulta, o que justifica a necessidade de intervenções precisas, firmes e cada vez mais precoces.

Drogas sempre foram usadas com alguma conotação que as explica, mas, que nem por isso é justificativa para tal. Nos anos 1960, por exemplo, surgiu a contracultura hippie cujo lema era “Paz e Amor”. O movimento que protestava contra a Guerra do Vietnã e fazia apologia das drogas pode ser explicado pelo estresse causado pelos horrores da guerra que levou à morte milhares de jovens.

Nesse contexto, “viagens” com maconha, LSD e outros alucinógenos funcionavam como tentativas “inadequadas” de diminuir o medo e a dor social que imperavam nos Estados Unidos com repercussão no mundo.

Hoje o contexto é outro, as drogas também mudaram, estão mais perigosas, pois seus fabricantes, marginais sem nenhum escrúpulo, para obterem lucros sempre maiores estão dispostos a “tudo”. Por “tudo” queremos dizer tanto a manipulação assassina de produtos com químicas e adições perigosas, quanto o fabrico de substâncias de baixo custo, com a finalidade de atingir uma população de usuários e dependentes cada vez mais ampla.

É assim que do “caldeirão do diabo” surge a cada dia uma nova e mais diabólica mistura, sendo que a da vez é a que resulta da adição de cal virgem e querosene à pasta base de cocaína, o oxi. Mais barato e letal que o crack, pode levar à morte com apenas um ano de consumo cerca de 30% dos usuários.

É necessário acordar para a realidade de que o problema das drogas é onipresente e, assim sendo, toda a sociedade precisa se mobilizar para combatê-las porque nenhum governo sozinho conseguirá fazê-lo. Se o futuro dos nossos filhos está ameaçado, a responsabilidade em relação ao problema também é nossa e não podemos nos isentar.

2 comentários:

  1. Como "acordar para a realidade?" Como ajudar um adolescente que começa a entrar neste mundo?

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  2. Jan, acreditamos que a educação, os educadores, têm papel importante também nesta questão social e por isso compartilhamos o texto para que professores possam pensar atividades para despertar a consciência desses meninos e meninas.
    Equipe Ler para Crescer

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