quarta-feira, 25 de maio de 2011

O livro que incentiva aluno a falar errado

Da Redação

Os autores do livro “Por uma vida melhor”, adotado pelo MEC (Ministério da Educação) como ferramenta de ensino da língua portuguesa a alunos do ensino fundamental, têm motivo de sobra para comemorar. Mas só eles. Há pelo menos duas semanas, a obra ganhou uma avalanche de publicidade e está no centro de uma polêmica por causa de um trecho do seu conteúdo em que defende o uso de diálogos com erros de concordância verbal. Frases como “os livro ilustrado mais interessante estão emprestado”, “nós pega o peixe” e “os menino pega peixe” são classificadas como forma natural e correta de falar, sendo apenas uma variação da língua culta para a chamada língua viva, ou linguagem popular.


Não haveria nada de errado com o tal livro se não fosse o caso de uma obra adotada para uso no ensino oficial - seria apenas mais um produto de qualidade discutível distribuído no mercado. O problema é que, ao ser adotado pelo Ministério da Educação, o livro passa a prestar oficialmente um desserviço à educação do

País e contribui para acentuar as diferenças. Como todo cuidado é pouco, não chega a ser exagero enxergar aí, a propósito, até mesmo um certo incentivo à prática do bullying - e dá para imaginar como seria a missão de convencer os algozes que ser “jeca” é “joia”, como prega certa canção de gosto duvidoso.

O argumento em defesa desse verdadeiro absurdo é simplesmente insustentável. Os autores do livro alegam que o objetivo não é ensinar errado, mas combater o preconceito linguístico - pessoas que falam dessa maneira podem se sentir discriminadas e excluídas, e por isso seria interessante dizer a elas que podem continuar falando assim. Falácia pura de quem deseja continuar vendendo o seu peixe a qualquer custo. O aluno vai à escola para aprender a falar corretamente e em busca de luz, porque errado ele já sabe falar e não precisa de mais esse empurrãozinho rumo às trevas.

É dever do educador abrir os olhos dos seus alunos para mostrar o que está errado com o intuito de ensinar a fazer o certo. Só que esse livro, enquanto ferramenta didática, produz efeito contrário, pois reforça a ideia de que está certo falar errado. Por extensão, o aluno pode, daqui a pouco, achar que também está certo escrever errado, pensar errado. Se o objetivo é combater o preconceito linguístico, então o caminho deveria ser exatamente o oposto: nivelar todos por cima, ensinando a língua culta. Aí, ninguém mais fala errado e esse deixa de ser um problema. O MEC já informou que não vai rever o uso do livro. Vai prevalecer a mentalidade do “nós pega o peixe” e a população vai pagar o pato.

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