sexta-feira, 27 de maio de 2011

A credibilidade em jogo em cada palavra

Da Redação


O colunista Luís Nassif fez uma reflexão muito importante no texto enviado para publicação, no último domingo, pelos jornais que integram a rede APJ (Associação Paulista de Jornais), incluindo a Folha da Região. Escreveu que “em países de instituições mais avançadas, o escândalo é o ápice do jornalismo. É aquele momento crítico, em que o jornal coloca em jogo sua credibilidade, seu discernimento, sua capacidade de apuração. E cada denúncia é uma pancada, que derruba governos, parlamentares, curva empresas e poderosos. Por isso mesmo, é matéria rara. Escândalo não dá em árvore. Principalmente o grande escândalo, o que mexe com instituições e o poder”. No entender do colunista, no Brasil, o escândalo, qualquer um que seja, tornou-se pauta única, samba de uma nota só.


Ao raciocínio de Luís Nassif é possível adicionar muitas outras considerações e enriquecer ainda mais esse debate. Um veículo de comunicação que se preze coloca a sua credibilidade em jogo não apenas quando publica uma notícia com características de escândalo, mas em cada linha publicada, em cada palavra colocada. Esse jornalismo responsável é possível praticar não só em países de instituições mais avançadas, até porque não depende apenas de condições técnicas e tecnológicas, mas fundamentalmente da conduta do jornalista. Para isso, a condição sine qua non é o jornalista ser comprometido apenas com o interesse do seu leitor, jamais com instituições ou pessoas alheias ao desempenho natural do seu dever como profissional.

A credibilidade é o maior patrimônio de qualquer veículo de comunicação que se respeita e quer ser respeitado, e leva anos para ser construída. Necessariamente, essa construção só ocorre à base de uma postura independente em todos os aspectos, inclusive o financeiro. Em sã consciência, nenhum empresário do ramo arriscaria essa credibilidade. Por isso mesmo - e por questão de princípios - esse é um patrimônio que a empresa submete à avaliação popular todo santo dia, em cada linha, em cada palavra. O mesmo vale para o jornalista que, todos os dias, coloca sob análise pública o seu nome - seu maior patrimônio - em cada matéria publicada.

Quanto a noticiar escândalos, definitivamente, isso não depende do jornalista nem da empresa para a qual ele trabalha. Simplesmente depende da ocorrência dos escândalos. É de se lamentar, sinceramente, que no Brasil não seja tão raro aparecer um escândalo aqui, outro ali. E é de se comemorar, efusivamente, o fato de neste País ainda existirem muitos jornalistas que não aceitam esconder esses escandalozinhos debaixo do tapete.

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