terça-feira, 24 de maio de 2011

Ciclos no ensino fundamental

Por Wilson Marini - Rede Paulista de Jornais

O ensino fundamental da rede estadual paulista será dividido em quatro ciclos a partir de 2012 -- respectivamente de 3, 2, 2 e 2 anos, alterando-se assim a divisão atual baseada em 5 e 4 anos. A informação foi dada em São Paulo pelo secretário estadual da área, Herman Voorwald. A nova divisão é uma proposta recente colhida na rede estadual de ensino. O secretário é favorável à ideia e há um “quase consenso” sobre isso na rede, segundo ele.

A proposta traz de volta o debate sobre a progressão continuada, 14 anos após a sua implantação no ensino público de São Paulo. Houve redução nos índices de evasão escolar, mas há deficiências no aprendizado a serem corrigidas. Os resultados de 2010 do Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo) revelaram melhora para o quinto ano do ensino fundamental e queda para o nono ano e ensino médio. Os índices mostraram a necessidade de contratação de mais professores e a implantação da avaliação bimestral.



A reorganização dos ciclos já havia sido planejada pelo governo estadual, mas obedecendo ao formato de três ciclos: Ciclo I: três anos (para alunos de 6 a 8 anos de idade); Ciclo II: dois anos (9 a 10 anos de idade); e Ciclo III: quatro anos (11 a 14 anos de idade). A última palavra, porém, é a divisão dos quatro anos finais (Ciclo III) em dois ciclos de dois anos, o que daria um total de quatro ciclos no ensino fundamental. A nova fórmula foi motivada por consulta à rede.

Assim que assumiu a Pasta em janeiro, o professor Herman Jacobus Cornelis Voorwald iniciou uma maratona de reuniões com professores, diretores e funcionários de cerca de 5,3 mil escolas no Estado. Ele esteve em Araçatuba, Bauru, Ribeirão Preto, S. José do Rio Preto, Santos, S. José dos Campos, Sorocaba, Campinas, Presidente Prudente, São Caetano do Sul e outros polos da região metropolitana de São Paulo. Esta semana, Voorwald fez um balanço desses encontros no Interior Paulista à Rede APJ, da qual faz parte este jornal.

Qual o resultado das reuniões regionais?
Eu venho da universidade e da universidade pública, onde a gestão é colegiada. Essa é uma postura de gestão que me agrada muito porque você tem a comunidade participando. A rede é muito complexa, temos mais de 5 mil escolas, 5 milhões de alunos, 255 mil funcionários ativos, 127 mil funcionários aposentados, 22 mil pensionistas. Temos unidades escolares em todos os 645 municípios do Estado de São Paulo. Como atingir a rede e fazer com que o secretário tenha a leitura do se que passa? Através de videoconferência, e-mails? Não, minha estratégia foi encontrar um meio de conversar e trabalhar com as 91 diretorias regionais. Foi elaborada uma agenda de trabalho que previa, com antecedência, reuniões o dia todo com os segmentos que compõem a rede em 15 polos do Estado. Participaram diretamente 17 mil pessoas, representantes de 170 mil.

E quais foram as conclusões?
A primeira é sobre a necessidade de uma política salarial que foi anunciada pelo governador Geraldo Alckmin de modo que houvesse o entendimento da importância do educador para a melhoria da qualidade da educação. Essa importância passa evidentemente por uma série de questões, mas a valorização da carreira é importante. A segunda é a necessidade de ter uma carreira que valorize o mérito, que reconheça o esforço e que sinalize para os jovens de que a carreira do magistério é importante a ser considerada no momento do ingresso na universidade e na escolha da profissão que seguirão. O plano está sendo aprimorado. E o terceiro eixo, a necessidade de um diálogo permanente entre a administração e os segmentos que compõem a rede. O diálogo na educação é importante.

O que vai ser feito em relação à melhoria do diálogo?
O meu retorno. Me comprometi, enquanto estiver na secretaria, que periodicamente continuemos com esse diálogo. Eu chamo isso de uma construção coletiva de uma política pública de educação de qualidade.

Haverá mudança na estrutura do ensino fundamental?
Haverá a manutenção da progressão continuada na forma de ciclos, mas com um olhar na recuperação. A rede solicita o aumento do número de ciclos. Há uma tendência em torno de quatro ciclos. É quase consenso na rede. Num ou outro polo tivemos a sugestão de três, mas a grande maioria quer que sejam quatro.Isso vai propiciar o quê?Um melhor acompanhamento na recuperação. Se não houver preocupação com a recuperação, não é o número de ciclos que interferirá na melhora do sistema.

Vamos, então, ter novidade em 2012?
Sim. Em meados do ano vamos trabalhar essa matéria. Nossa proposta original foi a de três ciclos, mas a rede julga que nos quatro anos finais deveria haver uma avaliação ao final do segundo ano. Uma das críticas é que quando da instituição da progressão continuada, não se discutiu com a base, com a escola, a viabilidade de se fazer a progressão continuada à luz das dificuldades que cada escola teria na recuperação em função da especificidade de cada uma delas.

Agora a rede está preparada para as mudanças?
A rede está. Principalmente porque ela está discutindo internamente em cada uma das escolas. Isso propiciou uma autorreflexão em relação à própria educação no Estado. A possibilidade de discutir viabiliza a mudança do número de ciclos com relativo sucesso.

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