segunda-feira, 23 de maio de 2011

Abuso sexual lidera casos de violência contra menores

Por Sérgio Teixeira

Abuso corresponde a 55% das ocorrências em Araçatuba
O abuso sexual praticado contra crianças e adolescentes lidera os atendimentos feitos pelo Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) de Araçatuba. Em comparação com as outras violências praticadas contra menores de idade, os crimes sexuais respondem por 55% das ocorrências que chegam ao órgão da Secretaria Municipal de Assistência Social.

Conforme balanço divulgado pelo Creas, 60 casos de violência contra o público infantojuvenil foram registrados no ano passado. Deste total, 33 são referentes a algum tipo de violação sexual. As outras são agressões físicas, psicológicas e negligência. O perfil da vítima é formado predominantemente pelo sexo feminino, com idade de 7 a 14 anos.


A maioria das violações ocorre dentro de casa. Das 33 agressões sexuais registradas, 8 foram praticadas pelo pai e 4 por padrastos. A lista segue com as figuras dos tios, primos e vizinhos, que têm acesso e vínculo afetivo com a vítima. Os casos são encaminhados ao Creas principalmente pelo Conselho Tutelar, Polícia Civil e demais órgãos da rede de proteção.

"É rara a violência praticada na rua por desconhecido", afirma a assistente social e coordenadora do Creas,
 Mirela Regina Genaro. Segundo ela, as pessoas próximas das crianças e adolescentes precisam estar atentas, pois o agressor não tem traços específicos que possa identificá-lo previamente. "São lobos em pele de cordeiro", ressalta a coordenadora.
Assim como as agressões ocorrem no ambiente familiar, o problema também costuma ser identificado dentro de casa. Os pais e outros familiares respondem por 56% das notificações de alterações no comportamento da vítima. Depois, são as pessoas anônimas, os vizinhos e a escola que percebem alterações no público infantojuvenil.

Sinais
As crianças e adolescentes costumam dar sinais físicos e psicológicos de que algo de errado está acontecendo, como medo excessivo de pessoas ou locais, abandono ou regressão de comportamento infantil, comportamento agressivo, dores ou lesões nas áreas genitais, entre outros, conforme a Secretaria Nacional de Direitos Humanos.

Os sinais são importantes, pois a maior parte das vítimas não consegue expressar verbalmente o crime praticado contra elas. Dos 60 menores de idade vítimas de agressão, 42 não procuraram ajuda. As outras 18 vítimas pediram socorro à família, vizinhos, Conselho Tutelar e amigos.

"A violência física e psicológica, muitas vezes, está ligada à violência sexual. A família tem que ficar muito atenta aos sinais das crianças e adolescentes", afirma Mirela. Ela diz que o Creas mantém atualmente 263 casos em atendimento de violências gerais, sendo alguns iniciados ainda no ano de 2004.

O balanço do Creas mostra que bairros da zona leste de Araçatuba estão no topo dos que mais registraram violência sexual contra menores de idade no ano passado. Os bairros Água Branca 1, 2 e 3, Alvorada, Araçatuba G, Hilda Mandarino, Ivo Tozzi, Umuarama e Vista Verde foram responsáveis por 19 notificações.

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