segunda-feira, 25 de abril de 2011

Programa municipal identifica 200 casos de bullying

Após quase um ano do lançamento do Programa de Combate ao Bullying, instituído por lei em junho do ano passado, a Secretaria Municipal de Educação já identificou mais de 200 casos de bullying nas escolas de Araçatuba. No total, são 14 mil alunos inscritos nas unidades escolares do município. O programa tem por objetivo prevenir os atos de bullying nas escolas, com a utilização de textos, cartilhas e projetos pedagógicos desenvolvidos durante todo o ano.

A identificação dos casos, a maioria com agressões verbais e físicas, só foi possível devido à capacitação de todos os funcionários das unidades e também de alunos e pais, por meio do programa. "Até os funcionários da limpeza, as merendeiras e os secretários passaram a ter conhecimento sobre o bullying, já que muitos dos casos acontecem nos pátios das escolas", ressaltou a diretora do Departamento de Supervisão da secretaria, Maria Lúcia Terra.
A diretora considera que aproximadamente 200 casos não representam um percentual tão assustador (1,5%) dentro do universo de 14 mil alunos. "Nós valorizamos todas as situações de bullying, mesmo que não aparentem ser casos graves, merecem atenção.


" A secretária da Educação, Beatriz Soares Nogueira, citou, durante entrevista à Folha na última quarta-feira, exemplo de uma aluna de 7 anos, que estava se tornando uma agressora de bullying após a morte de sua mãe. "Depois disso, ela se transformou. Aí formamos um núcleo com as outras secretárias e conseguimos recuperar essa aluna", explicou.

Para Beatriz, o bullying é um sintoma e a causa deve ser descoberta pela sociedade. Segundo a secretária, foram reduzidos os números de alunos por sala para que os professores tenham um olhar mais atento a cada criança. "Com conhecimento do bullying transmitido por meio do programa, os alunos se sentem mais encorajados e flexíveis para discutir o assunto com o professor", disse.

Em casos mais particulares, a psicóloga Milena Moimaz, que integra a equipe multidisciplinar da secretaria, afirma que a escola os encaminham para o grupo, que passa a frequentar a unidade, disfarçadamente, a fim de observar o comportamento da vítima e do agressor. "Dá para perceber piadas e xingamentos dentro da sala de aula, mas nessa hora a intervenção tem que ser do professor", ressalta. "O nosso trabalho é levantar a situação das crianças junto ao professor, e também à família, que é envolvida na resolução do problema. Com isso, temos obtido sucesso."

Segundo Milena, a secretaria firmou parceria com o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e recebeu cartilhas sobre o bullying para serem distribuídas nas escolas. O conteúdo diz, no caso do agressores, eles podem ser motivados a praticar o bullying para adquirir poder e status ou por causa de separação traumática dos pais, ausência de recursos financeiros, doenças na família, entre outros.

CAPITALISTA
Com essas ações, Maria Lúcia afirma que os alunos aprendem a desconstruir preconceitos e a questionar esse tipo de comportamento, pois o bullying nasce dentro da filosofia de uma sociedade capitalista, que estimula a competição, a agressão, o individualismo. "A escola precisa ter um questionamento desses princípios e trabalhar na construção de colaboração, de parceria, de pensamento positivo.

"A secretária da Educação defende a atenção ao ser humano e é contrária ao pensamento de intimidar os alunos com a implantação de cercas, de grades, detector de metais e policiais nas escolas.

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