sábado, 16 de abril de 2011

Professora diz que viu até aluno armado

Adolescentes perto da escola José Arantes Terra
As declarações do vereador Cláudio Henrique da Silva (PMN) durante a sessão de segunda-feira na Câmara de Araçatuba retratam uma triste e preocupante realidade, que já foi testemunhada em salas de aula. Ao comentar o massacre contra alunos de uma escola do Rio de Janeiro, ocorrido na última semana, ele afirmou: "Há escolas que negociam com as gangues para que elas não invadam o pátio e as salas. Há alunos armados que ameaçam colegas e professores". Acrescentou que "as drogas são vendidas facilmente".

Que as drogas são vendidas facilmente a reportagem da Folha da Região mostra na edição de hoje. Que traficantes invadem escolas e que a presença de aluno armado também está longe de representar um delírio, pelo menos uma professora de 50 anos de idade, 30 deles dedicados à educação, já sentiu na pele.


Ontem, ela mostrou que as afirmações do vereador não foram um exagero ao revelar que foi vítima da violência presente nas escolas. Sem se identificar, com medo de represálias de bandidos, a professora conta que em dezembro do ano passado teve seu carro danificado por um traficante. O ato foi uma represália depois de ter expulso uma aluna de 17 anos da sala de aula por problemas de indisciplina.

"O carro estava no estacionamento da escola e eu previ que poderia acontecer outra. Quando cheguei, ele estava quebrando os vidros com uma barra de ferro, também usada para perfurar toda a lataria", lembra. Um prejuízo de R$ 1,6 mil que, segundo ela, ultrapassa a questão financeira e crava o medo e a insegurança. Há oito anos, a mesma professora também teve que expulsar um aluno porque ele entrou na sala de aula com um revólver. Três anos depois, um outro estudante invadiu sua casa armado. "Ele foi detido, mas como era menor, no dia seguinte estava na escola, me encarando." (HÉLTON SOUZA)

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