sexta-feira, 8 de abril de 2011

Pesquisa diz que principais alvos de bullying são alunos populares

O bullying é praticado como uma forma de ganhar popularidade, e seus alvos nas escolas são garotos com status médio ou alto entre seus colegas. A conclusão é de uma pesquisa da Universidade da Califórnia publicada no American Sociological Review. Foram ouvidos 3.722 alunos dos últimos anos do ensino fundamental (equivalente ao primeiro grau) de três condados no Estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

As entrevistas apontam que a violência funciona como um mecanismo de competição para aumentar o status no universo estudantil, mais do que para maltratar nerds ou excluídos. Esses não seriam as maiores vítimas de bullying, segundo o estudo. Isso não quer dizer que eles estejam totalmente fora da mira dos agressores, afirma o professor de sociologia Robert Faris, responsável pela pesquisa, em entrevista para o jornal New York Times.


- [o bullying acontece] talvez com alguém bem à sua frente ou do seu lado, mais do que com crianças isoladas e desprotegidas. Isso não quer dizer que elas não sofram [bullying], porque elas sofrem. Mas a taxa geral de agressões cresce conforme o status cresce [dentro da escola].

Os que estão no meio e no alto da pirâmide da popularidade, em colégios e escolas, são tanto os que mais sofrem agressões quanto os que mais praticam, ressalta Faris. - A maior parte do bullying acontece entre os que estão no meio e no topo do status social. Mais do que praticar a violência contra os alunos às margens do círculo escolar, os alvos do bullying são os potenciais rivais em termos de popularidade.
Surpresa

Com o uso de grandes mapas sociais das escolas dos três condados avaliados, pesquisadores toparam com uma surpresa: apesar de a agressividade crescer conforme cresce o status, os 2% mais populares entre os alunos apresentaram menos tendência a serem violentos.

- No topo, começa a haver uma reversão. As crianças entre os 2% [mais populares] são menos agressivas. Eu avalio que chega um momento em que elas não precisam mais competir, porque estão no topo da pirâmide. Mais agressão seria contraprodutivo [para a popularidade].

A pesquisa afirma que o bullying não está ligado necessariamente a um desequilíbrio emocional, mas pode ser um passo calculado como tentativa de obter status. O resultado contradiz a ideia de que o agressor é desajustado ou agressivo por natureza.

Pais e educadores estão quase sempre desinformados sobre o estresse diário e as agressões que os estudantes passam, aponta o autor do estudo.

- As pesquisas sobre bullying vêm focando nessa dinâmica de antagonismo crônico contra jovens socialmente isolados, ignorando essas outras formas de agressão. É bem possível que um ato, um rumor espalhado na internet possa ser devastador [para a popularidade e o psicológico de um aluno].

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