terça-feira, 19 de abril de 2011

Editorial: Muito barulho para ficar no zero a zero

Absolutamente decepcionante o conteúdo da carta elaborada pelas 30 entidades que passaram as últimas semanas traçando o diagnóstico de Araçatuba com a ambiciosa tarefa de ajudar o prefeito Cido Sério a tirar a cidade do buraco.

As lideranças do movimento apresentaram um texto inconclusivo, recheado de obviedades e desprovido de qualquer proposta concreta que pudesse corresponder minimamente à expectativa criada por entidades do quilate da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), APM (Associação Paulista de Medicina) e Acia (Associação Comercial e Industrial de Araçatuba). No lugar da esperada goleada de ideias geniais, o que se viu na carta, divulgada na Folha da Região, lembra muito mais um daqueles jogos sonolentos de futebol com o placar final em branco.


Bem diferente do discurso inicial, a liderança do movimento tentou justificar a ausência de propostas afirmando: “Não podemos ingerir na administração pública. Esta é função do Executivo e do Legislativo”. No trecho seguinte da carta, mais parecida com uma ata, argumentou: “Colocamo-nos à disposição, mas em nenhum momento solicitaram a nossa ajuda”. Realmente, o prefeito em nenhum momento pediu ajuda, não pediu nem mesmo que as entidades se mobilizassem.

Mas compareceu à sede da OAB, como convidado, para ouvir o que as entidades tinham a oferecer. Falou muito mais do que ouviu, transformou sabatina em monólogo. A criatividade, lamentavelmente, não apareceu também depois, quando houve a reunião com os vereadores. Diante da escassez de ideias que pudessem ser transformadas em propostas salvadoras, os autores da carta encerram o texto insistindo que “ainda pode haver alguma mudança na carta”.

Depois do zero a zero, portanto, existe a expectativa de uma prorrogação. Se ainda assim não sair gol, de repente a partida pode caminhar para a cobrança de penalidades máximas. Após essa atuação abaixo da crítica, porém, será necessário suar muito mais a camisa para prender a atenção dos torcedores. Fica aí a torcida de todos, porque Araçatuba precisa ganhar essa partida, que vai muito além da questão dos buracos.

Para citar só um exemplo, mais recente e marcante, ainda sob investigação, o caso do bebê de apenas 14 dias, medicado com antigripal: morreu depois de ser atendido em três postos de saúde do município. Este e muitos outros fatos recomendam que as entidades não se desmobilizem de agora em diante, mas que aprimorem suas ideias numa linha de atuação mais pragmática e menos pirotécnica. Nunca é tarde para apresentar as tão aguardadas propostas. E o prefeito já mostrou que precisa de ajuda.

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