segunda-feira, 25 de abril de 2011

Conversar com o coração

Por Márcia Atik

Estamos vivendo na era dos avanços da tecnologia, isso é ótimo porque as nossas vidas estão muito mais facilitadas.
Mas por outro lado esse avanço tem trazido à tona o verdadeiro sentido da solidão, pois, mesmo acompanhadas, as pessoas estão cada vez mais e mais se envolvendo com a máquina e se afastando dos olhos, do toque e do cheiro. Isso acontece em todos os níveis de relação, estejamos atentos.
A possibilidade de comunicação quase em tempo real tem também muitos pontos positivos, entre eles o diálogo entre os leitores e os articulistas. Por conta disso, resolvi hoje comentar um dos vários e-mails que me chegam de Araçatuba e região, com comentários e dúvidas.


Um mãe me escreve, assustada e perdida: “Descobri a homossexualidade de meu filho xeretando seus e-mails. Sei que não se deve fazer isso, mas um dia eu fiz e me surpreendi. Ele tem 18 anos e para todos os efeitos é maior de idade, mas ainda é meu filho, depende de mim e é muito imaturo. Ainda não contei para meu marido e por isso peço urgência na resposta, pois estou me preparando para isso.”
Cara amiga, mãe e mulher, as questões ligadas à sexualidade dos filhos ainda são um grande tabu a ser ultrapassado e quando nos deparamos com algo que não estava no nosso script, a coisa toma contornos assustadores.

Antes de tudo, devo comentar o politicamente ‘incorreto” de xeretar a correspondência eletrônica de seu filho. Infelizmente isso hoje se faz necessário, sem contanto incorrer numa invasão de privacidade. Sei que a linha que separa as duas coisas é tênue e para isso temos que nos preparar e ser honestas com nossos filhos.

Quanto à homossexualidade de seu filho, o primeiro passo é abrir o jogo com ele sobre suas preocupações, dúvidas e medos, sem cobranças e sem críticas para que ele se sinta tranquilo e confiante em se aproximar de você , pois se isso for verdade, creia que ele também estará com medos e dúvidas.

A qualidade desse encontro é o ponto de partida para uma sexualidade plena, feliz e construtiva, independente de qual seja a orientação sexual de seu filho.
Caso não se veja capaz de fazê-lo, não hesite em procurar a ajuda de um especialista para que esse desvelamento seja feito com maturidade e compreensão.
O ideal é que seu marido, na condição de pai, também participe desse momento que não é só de seu filho ou só seu, é do pai e da mãe que têm como compromisso educar, amparar e educar o filho.


Márcia Atik é psicóloga, especialista em sexualidade

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