sexta-feira, 8 de abril de 2011

Cesp faz manejo pesqueiro em Castilho

A formação de reservatórios de usina hidrelétricas afeta as características dos rios. Podem ocorrer alterações na abundância das espécies, com proliferação excessiva de algumas e redução de outras. A Cesp (Companhia Energética de São Paulo) mantém desde a década de 70 o programa de manejo pesqueiro, com os objetivos de garantir a conservação da diversidade de espécies de peixes, e tentar amenizar os efeitos ambientais gerados pelos reservatórios.

Na semana passada, a Folha da Região esteve na Estação de Hidrobiologia e Aquicultura de Jupiá, localizada em Castilho, próxima à Usina Hidrelétrica Engenheiro Souza Dias. A unidade possui 983 metros quadrados de edificações e 154 tanques de aquicultura. Produz anualmente 3,2 milhões de alevinos de oito espécies de piracema da bacia hidrográfica do Alto Paraná.

Entre as espécies procriadas em cativeiro, que são liberadas em épocas específicas mediante o monitoramente dos reservatórios, estão o dourado, piracanjuba, piapara, curimbatá, pacuguaçu, pintado, jurupoca e jaú. Segundo René Alberto Fuster Belmont, da Divisão de Recuperação e Conservação de Ecossistemas da Cesp, a soltura de peixes é apenas uma das ferramentas utilizadas pelo programa de manejo pesqueiro.

BASES
O programa abrange o monitoramento da qualidade ecológica dos reservatórios, por meio de levantamentos da qualidade da água e produtividade dos ambientes e organismos aquáticos, das espécies de peixes que ocorrem nos reservatórios, da produção pesqueira e dos equipamentos de transposição para peixes.

Com base nesses monitoramentos são definidas as medidas de manejo adequadas a cada reservatório. Essas medidas envolvem a produção de alevinos, o repovoamento e o manejo genético das espécies produzidas. O programa compreende também a cooperação técnica e científica com instituições nacionais e estrangeiras.

O Livro Vermelho da fauna ameaçada de extinção destaca que a piracanjuba é reproduzida em cativeiro e liberada em diversos reservatórios pela Cesp. No entanto, a publicação cita que "a eficácia dessa prática de conservação da espécie é bastante questionável, tanto pela baixa diversidade genética, como pelo fato de que esses esforços têm se mostrado infrutíferos na tentativa de restabelecimento de populações naturais da espécie."

O engenheiro Milton Roberto Estrela, gerente do Departamento de Meio Ambiente da Cesp, afirma que pesquisa científica publicada após a edição do Livro Vermelho "demonstra que a variabilidade genética desses peixes ainda é adequada ao manejo."

Sobre a frustração na tentativa de restabelecer populações naturais de piranjuba, Estrela afirma que os reservatórios de Ilha Solteira e Três Irmãos não oferecem condições ambientais para a reprodução de espécies migratórias. 

"De fato o trabalho da Cesp não restabelece populações naturais, mas promove a conservação das espécies repovoadas e aumenta a biodiversidade dos reservatórios", diz. Os trabalhos de repovoamento da Cesp, inclusive, foram responsáveis pelo retorno de prêmios à pesca de pacus e piracanjubas no Festival de Pesca de Ilha Solteira.

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