quinta-feira, 24 de março de 2011

A pirâmide invertida - o lide

Por Hélio Consolaro

A peculiaridade da narrativa noticiosa está no fato de que a história contada não se estrutura a partir da ordem cronológica dos acontecimentos. Ao noticiar um fato, não se conta esta história na ordem temporal clássica das ações que o compõem. É por isso que dizemos que a notícia é formatada pela pirâmide invertida.


Invertida porque se a história noticiosa fosse formatada pela pirâmide normal, o fato seria relatado em sua ordem cronológica. Inverter a pirâmide não significa narrar o acontecido de trás para frente.“Inverter a pirâmide” significa começar do geral para o particular. O primeiro parágrafo deve responder às perguntas básicas da notícia: quem, o quê, onde e quando. Se o leitor quiser as particularidades, lerá os parágrafos seguintes: como, por quê, etc.

O primeiro parágrafo se chama lide, aportuguesamento da palavra inglesa lead, que significa “liderar”. É o parágrafo líder. Mário Erbolato chega a relacionar tipos de lides. Uma das funções é “prender” o leitor para que ele leia a matéria inteira. Leia as notícias desta Folha e descubra como as notícias são redigidas na forma da pirâmide invertida, começando do geral para o particular.
Quem não estiver interessado no assunto, lê o primeiro parágrafo da notícia e já tem as informações gerais, passando para uma notícia mais interessante.

Musicista não é feminino de músico
Se musicista fosse feminino de músico, eu teria que chamar Dilma de Rousseff de politicista e não de política. O repórter entrevista dois músicos, um homem e uma mulher. O homem é chamado de músico e a mulher de música (forma correta), ou então, ambos são chamados por ele de musicistas (forma correta). Qual é a forma errada? Chamar o homem de músico e a mulher de musicista. Musicista é um substantivo comum de dois gêneros, como “estudante”, serve para os dois gêneros.
O dicionário Houaiss registra verbete musicista, mas em nenhum momento afirma que musicista seja feminino de músico.

Inúmeros
"Inúmeros" significa incontáveis, como as estrelas do céu. Há o uso errôneo desse adjetivo, como: "O elemento deu inúmeras facadas na amásia". É muito exagero, é possível contá-las. Neste caso, seria melhor usar "numerosas", "muitas", "diversas", “várias”.

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