sexta-feira, 18 de março de 2011

Olhos para ver os novos tempos

Por Jean Oliveira

A introdução da informática como ferramenta do cotidiano é uma grande aliada na formação cultural. Todos os que se interessam pelo conhecimento têm, por meio da internet e da mídia, uma larga avenida. Hoje, os grandes museus do Brasil e do mundo podem ser visitados via computador. O famoso Louvre, por exemplo, disponibiliza até um guia para acompanhá-lo às mais diferentes mostras permanentes. É possível ver quadros e esculturas, e aprender muito por meio do texto escrito e narrado pelo monitor virtual. Bibliotecas também oferecem acervos e os meios de comunicação despejam notícias como uma tempestade de verão. Pensadores e artistas também usam o mundo digital para expor suas ideias e concepções.


Esta disponibilização do conhecimento é uma democratização da informação ímpar na história da humanidade, mas ela não basta para mudar o homem. Os quem tiverem olhos para ver, perceberão oportunidades de crescimento intelectual e profissional neste novo cenário. A nova revolução, no entanto, como a esfinge, exterminará aqueles que não decifrarem seu enigma. É preciso aprender a transformar os dados adquiridos em conhecimento. É fato que todas as pessoas bem informadas são mais capazes de formular pensamentos complexos e tomar decisões mais acertadas.

Até pouco tempo atrás, era fácil para os que sabem decorar datas e citações parecerem mais inteligentes nas rodas e nos textos, mas hoje, crescem na vida somente os poucos que sabem transformar o que sabem em oportunidades e ferramentas de transformação. E o sucesso, no mundo capitalista, virou a régua da inteligência. E é neste processo de ajudar no desenvolvimento do pensamento crítico que muitos educadores, formadores de opinião e até a mídia pecam. Necessário se faz que todos aqueles que são emissores de informações ajudem os receptores a interiorizar, fazer ligações com experiências antes vividas e, como em um processo de panificação, juntar o fermento à massa para transformar tudo em um belo bolo.

As notícias que lemos diariamente não servem mais apenas para sabermos sobre os tempos em que estamos vivendo. Elas precisam ser entendidas, processadas e analisadas pelos leitores. Assim, os consumidores de notícias passam a não ser apenas mais um rosto na multidão, mas sim cidadãos conscientes capazes de interferir positivamente na própria história e na vida da comunidade. Para isso, os jornais e revistas precisam ser mais analíticos. Se preciso, terão até que introduzir pequenos artigos e editoriais junto aos textos noticiosos.

A educação que o Brasil tanto prega como principal passaporte para um futuro digno passa por esta mudança de atitude nas escolas e na mídia. Não basta mais o professor ensinar cartilhas e apostilas, os meios de comunicação venderem notícias e os pensadores escreverem para eles e seus amigos. O sociólogo e economista Gilson Schwartz chega ao ponto de defender que aquele que não puder usar sua criatividade, terá sua inteligência massacrada. Sem ela, diz, o professor, o artista e o jornalista viram burocratas da informação. É um desafio a ser encarado pelos dois lados do balcão, pois só é criativo aquele que sabe pensar.

O compartilhamento, que é a tônica deste mundo digital em que vivemos, deve ser aprimorado. Aos que têm olhos para ver, vejam que novos horizontes se aproximam. Não há mais espaço para o receptor passivo. Todos hoje precisam aprender a decodificar o mundo em que vivem para não se tornarem apenas vultos avulsos no planeta. Ou entenda ou será devorado.

Jean Oliveira é jornalista, repórter da Folha da Região, bacharel em Turismo e pós-graduado em Educação Ambiental

Nenhum comentário:

Postar um comentário