segunda-feira, 28 de março de 2011

Novo horizonte do pensar ecológico

Por Jean Oliveira
A segunda década do novo milênio tem sido um período de amadurecimento do pensamento ecológico no Brasil e no mundo. Após termos visto nascer, na década de 1960, as primeiras discussões sérias sobre os impactos da atividade humana sobre o planeta, colhemos hoje o doce fruto da maturidade.

Em 1968, com a criação do Clube de Roma, realizou-se a pioneira reunião de cientistas preocupados com esta questão. Promoveram sérios estudos sobre o impacto da indústria e do consumo nas reservas naturais. Engatinhávamos, naquele momento, rumo a uma das mais importantes revoluções de consciência que o ser humano já foi capaz de fazer.



Para o bem da humanidade, 43 anos depois do encontro em terra italiana, vencemos a primeira fase, em que se pregava somente em favor de pássaros e animais em extinção e florestas. Também estamos superando o segundo período, marcado pelo discurso apocalíptico. Chegamos, enfim, ao momento da reflexão ponderada que leva às reais mudanças de atitudes.

Aqui mesmo em Araçatuba podemos ver os sinais deste novo tempo. As escolas, a Câmara Municipal e os meios de comunicação trataram abertamente do tema nas últimas semanas, motivados por projetos de lei e por datas especiais. Esta Folha, há uma semana, lançou com sucesso a série “Nossa Terra”, que tem acrescentado muito ao debate público desenvolvendo pautas de relevância, com a moderação e a seriedade necessárias.

É salutar perceber que os cidadãos e a imprensa já compreendem que o assunto meio ambiente não é mais só coisa de preservação de onça ou de messianismo. As discussões já englobam cenas reais e soluções possíveis. Incluímos em nossa vida social e na esfera privada a reflexão constante sobre o quão faz bem fazer o certo. Passamos a nos preocupar efetivamente com nossas compras em supermercados e suas sacolas plásticas; com os gastos de energia e água; com adequação da acomodação dos resíduos sólidos (lixo) e com o respeito à natureza.

São sintomas da solidificação de um projeto de desenvolvimento que também abraça a manutenção e a melhoria da qualidade de vida, principalmente nas cidades. É sabido hoje que é possível manter as metas de crescimento econômico sem sermos exclusivamente predadores. Ser ambientalista sério, hoje em dia, não é mais ser essencialmente contra o capitalismo, mas sim defender o alargamento responsável de suas ações.

E esse estágio de consciência é, inclusive, como um vento providencial nas velas da modernização do Estado brasileiro. Nosso país, que na última década solidificou sua urbanização iniciada em meados do século passado, vê-se agora na oportunidade de crescer não se tornando apenas mais rico, mas também melhor para todos.

Ultrapassamos, como país, a fase da acomodação das famílias que saíram da zona rural para as urbes em meados do século passado. Agora, já estamos caminhando para sermos uma nação de classe média formada pelos descendentes dos que deixaram a roça e hoje têm direito a sonhar com moradia própria, carro e consumo de outros bens não duráveis.

Não precisamos voltar a ser homens da caverna para preservar o planeta, pois aprendemos que poderemos ascender socialmente também construindo ruas arborizadas, reciclando e reutilizando lixo e promovendo verdadeira distribuição social. A consciência ambiental que alcançamos já nos permite perceber o ser humano como um ser inserido na paisagem, por isso temos melhor discernimento do nosso papel.

Estamos deixando de ser crianças mimadas que queriam tudo ao mesmo tempo para nos tornar jovens agentes que abraçam as rédeas de um projeto inteligente de desenvolvimento. Inicia-se uma roda de prosperidade social e econômica que é pura ecologia do século 21. Há uma nova e bela alvorada em nossa caminhada pelo globo azul. Há muitas léguas a percorrer por um mundo melhor, mas pelo menos já poderemos seguir a rota do sol usando a bússola da ponderação.

Jean Oliveira é jornalista, repórter da Folha da Região, bacharel em Turismo e pós-graduado em Educação Ambiental pela USP

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