quinta-feira, 10 de março de 2011

‘A mão de Fátima’ mostra saga pessoal

Depois do sucesso internacional com "A catedral do Mar", que vendeu mais de quatro milhões de exemplares em todo o mundo, o catalão Ildefonso Falcones está de volta com mais um romance com fortes elementos de aventura, paixão, amor e traição.

Com "A mão de Fátima", ele retorna ao ano de 1568, à região das Alpujarras, na Andaluzia, então parte do reino de Granada, palco de um dos mais sangrentos conflitos do século 14. Naquele ano, os mouriscos, descendentes dos turco-otomanos que conquistaram a península ibérica séculos antes, declararam guerra à coroa após édito real proibindo o uso da língua árabe e dos costumes e cultos muçulmanos na região.


Colhido no turbilhão da revolta, o jovem Hernando – filho de uma muçulmana violentada por um padre católico, por isso visto com desconfiança pelos dois lados do confronto – é forçado a tomar partido e amadurecer rapidamente para sobreviver, enfrentando massacres, constantes mudanças de poder, escravidão e a sobrevivência após a derrota dos muçulmanos, que tentam preservar sua cultura de forma clandestina, enquanto vê sua própria família ser dilacerada pela guerra.

OPORTUNIDADE
Inicialmente rejeitado entre os muçulmanos e maltratado por seu padrasto Brahim por sua origem mestiça, Hernando, por força da sorte e de sua sagacidade, acaba encontrando na guerra oportunidades para crescer na estima de seu próprio povo, chegando a ganhar a confiança de Fernando de Válor ou Aben Humeya, declarado rei dos muçulmanos de Granada, e o amor de Fátima, uma jovem viúva a quem salva da morte. Ao mesmo tempo, Hernando acaba atraindo a inimizade de um arrieiro desonesto, Ubaid, e de seu padrasto Brahim que, atraído por Fátima, torna-se um obstáculo à sua união.

Enquanto Barcelona teve um papel preponderante no romance anterior do autor, A catedral do mar, em A mão de Fátima há dois importantes cenários: as montanhas escarpadas de Alpujarra, e Córdoba, a cidade do Califa, com sua mesquita, antigo bairro árabe, suas ruas e seu povo, ambas no sul da Espanha. E se a igreja se tornou um símbolo do aclamado best-seller de Falcones, dessa vez a mesquita e a luta do povo por liberdade servirão de contraponto para a jornada pessoal do protagonista.

CONFLITO
A trama de "A mão de Fátima" não perde o ritmo um minuto sequer. O autor lança luz sobre um conflito que dividiu a Espanha e precipitou a expulsão dos mouriscos do país, anos mais tarde, em 1609, sob um ponto de vista original: a de um homem apaixonado que nunca se conformou com a derrota. E, mais uma vez, brinda o leitor com um romance que mescla fidedigna reconstrução histórica com uma apaixonante história de amor e ódio.

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