sexta-feira, 18 de março de 2011

Dó, ré, mi, fá: as notas são as mesmas, mas a aula de música é diferente

Reco-reco, clava, xilofone, pau de chuva, ganzá. Esses são apenas alguns dos instrumentos utilizados nas aulas de música das escolas municipais de Mogi das Cruzes que participam do projeto “Tocando, cantando,… fazendo música com as crianças”. Tocar, entretanto, é apenas uma das possibilidades. E tudo nasceu de uma necessidade da professora de música Iveta Maria Borges Ávila Fernandes de ultrapassar a barreira tradicional do ensino de música em escolas de Educação Infantil e Ensino Fundamental I. Em função do projeto, e com ele já em andamento, Iveta resolveu defender sua tese de doutorado pela Faculdade de Educação (FE) da USP.


O projeto “Tocando, cantando,… fazendo música com as crianças” supera o método tradicional e tem como principal proposta uma aula de música na qual a criança possa lidar com diversos instrumentos, ainda que de fácil utilização. Mais atividades lúdicas, como jogos e brincadeiras didáticas em grupo, também são incentivadas.

Pesquisador musical Gabriel toca com alunos: eles escolheram a música que gostariam de cantar
Na Escola Municipal de Educação Infantil Professor Adolfo Cardoso, uma das maneiras com as quais as crianças lidam com a música é cantar, ao som do violão, enquanto estão sentadas ao redor da mesa brincando com lego. “Elas não precisam necessariamente parar as atividades em andamento para cantar e isso torna a música mais atrativa. Além disso, a própria criança pode sugerir a música que gostaria de cantar”, afirma a diretora Silvana Silva Maciel.

Incentivar a criança a compor e improvisar é outra característica do projeto. Assim, se em uma aula o aluno apenas canta e toca os instrumentos, em outra pode ser estimulado a criar sua própria música, seja a letra ou a melodia. Dessa maneira, a linguagem musical vai sendo de fato desenvolvida na criança.

Pesquisador
Uma grande novidade criada pelo projeto é a introdução, nas escolas, dos pesquisadores musicais: graduandos em música ou músicos já formados que com sua base teórica e formação acadêmica na área podem dar suporte técnico aos professores. Segundo Iveta, os educadores da Educação Infantil e Ensino Fundamental I, por terem cursado magistério ou pedagogia, não possuem bagagem teórica para desenvolver novos procedimentos didáticos no ensino de música. Assim, o pesquisador musical atua em conjunto com a escola e auxilia o professor para que este possa desenvolver a música além do que poderia se não tivesse o auxílio de um profissional da área.

Pesquisador e professora: ele possui a técnica musical e ela possui a didática em lidar com as crianças
As escolas participantes do projeto recebem a visita do pesquisador uma vez na semana. “Na faculdade temos contato com muitos autores e trazemos algo diferente do método tradicional para ser explorado”, explica o pesquisador musical Gabriel Costa de Souza. Ele conta que, embora trabalhe junto aos professores com textos de caráter mais teórico, o fundamental não é que o professor se torne um músico, mas apenas que aprenda a lidar melhor com o ensino da disciplina. Dessa maneira, ele pode se desenvolver sempre.

“A formação e aprimoramento contínuos do professor é um dos grandes ganhos proporcionados à cidade pelo projeto”, declara Leni Gomes Magi, diretora do Departamento Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação. Segundo ela, os professores que participam, por terem apoio dos pesquisadores musicais, sentem-se mais seguros e prontos para lecionar. É o que declara Eulália Anjos Siqueira, diretora da creche Centro de Convivência Infantil Professora Ignez Pettená: “O pesquisador é fonte de conhecimento. Ele acompanha o trabalho da professora semanalmente e dá um suporte”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário