segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Opinião: os problemas da escola estão fora da escola

Ultimamente, tem sido enfatizada a valorização do professor como forma de melhorar aEducação brasileira. Isto é absolutamente correto. Sem educadores motivados, é impossível uma Educação de qualidade. Da mesma forma, há a necessidade de Escolas bem estruturadas.

Entretanto, os principais problemas se originam do lado de fora das instituições educacionais. A Escola precisa se ocupar das questões sociais que a atingem direta ou indiretamente. Tais problemas não têm sido tratados como questões concernentes à Educação, quando, de fato, o são.

É difícil ocorrer uma aprendizagem adequada com famílias desagregadas, pais com baixa ou nenhuma Escolaridade e inexistência de ambientes favoráveis ao estudo. Os entraves cruciais da Educação têm de ser enfrentados com políticas de emprego, salário, distribuição de renda, habitação, saneamento, transporte etc.

Nosso país, a partir do governo Lula, vem enfrentando estas questões e adotando importantes iniciativas na área educacional, cujos resultados, a médio e longo prazos, acontecerão. Estes, contudo, demandam uma geração inteira para se fazerem sentir. Devem os educadores e a sociedade apenas aguardar as consequências dessas iniciativas? Parece-nos que não.

As Escolas públicas, além da parte pedagógica, deveriam ter uma coordenação de políticas sociais, responsável pela articulação entre os membros da comunidade Escolar e as políticas públicas de saúde, habitação, saneamento etc. A comunidade Escolar deve ser vista como um todo.

As Escolas devem compreender a Educação dos pais de seus alunos como parte de suas tarefas, encaminhando-os para a alfabetização, Escolarização e profissionalização. É necessário ter conhecimento da situação de cada família e tomar medidas no sentido de prover soluções aos problemas socioeconômicos que impedem o educando de ter um bom desempenho.

A presidenta Dilma tem apontado o combate à miséria como sua prioridade. Desta forma, nenhuma instituição pública pode se omitir, especialmente a Escola, do papel que desempenha. É necessário resgatar a dimensão política do fazer docente.

O debate político entre os educadores foi substituído pelo debate sindical, importante para a categoria, mas insuficiente para responder aos grandes desafios da Educação. A Escolaé a instituição pública de maior capilaridade em todo o país e, portanto, a que tem melhores condições de articular uma grande mobilização nacional em defesa do conhecimento e da emancipação.

* Professor e secretário de Educação Profissional do MEC


Fonte: Zero Hora (RS) 26/01/2011
Retirado do site Jornal e Educação da ANJ

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