sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Jornal institucional da escola

Um jornal impresso feito pelos alunos estimula a leitura e a escrita e divulga o trabalho pedagógico para a comunidade

Daniela Almeida 

Investir na produção de um jornal interno garante à escola um variado leque de benefícios: ele melhora a comunicação com os pais dos alunos e com toda a comunidade, serve de canal para divulgar o projeto pedagógico da escola ao noticiar as atividades desenvolvidas, desafia crianças, jovens e membros da equipe escolar a se unir em torno de um objetivo comum, aproxima os estudantes do gênero informativo e incentiva a garotada a escrever. "Todos se envolvem para escolher os temas que serão abordados nas reportagens, falar com os entrevistados e distribuir os exemplares", afirma Ana Flávia Alonço Castanho, formadora das redes municipais de São Paulo e São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.

Pensando nesses ganhos, a EE Geraldo Melo dos Santos, em Maceió, lançou um periódico que leva o nome da instituição. Uma vez por ano, estudantes e professores se reúnem para decidir o tema das reportagens - a maioria delas trata do cotidiano escolar (como eventos, atividades e projetos) e sobre os assuntos que as turmas estão aprendendo no momento. Os familiares também dão palpites - e geralmente pedem textos sobre o relacionamento entre pais e filhos. As ideias passam pela aprovação do núcleo de comunicação, um grupo de quatro docentes que detalha o que será apurado e acompanha o processo de produção. A partir daí, os próprios alunos fazem entrevistas, tiram fotografias e redigem os textos.

O custo de impressão dos 3 mil exemplares em papel cuchê, 800 reais, é pago por anunciantes, geralmente os fornecedores de merenda e produtos de limpeza e comerciantes do bairro. "O segredo para envolver tanta gente em um só projeto é abordar assuntos significativos para a comunidade, fazendo com que as pessoas se enxerguem na publicação", conta Nilson Junior, diretor da escola.

Coordenador pedagógico e diretor em papéis centrais
Para que o processo funcione adequadamente e cumpra seu propósito, o envolvimento dos gestores é fundamental. Ao coordenador pedagógico cabe introduzir, durante as reuniões de formação, o estudo e a reflexão sobre como transformar os assuntos referentes ao funcionamento e à organização escolares em textos jornalísticos. E também ajudar os professores a planejar aulas que contribuirão para a aprendizagem dos conteúdos relacionados. "É preciso formar a equipe para trabalhar com textos de diferentes graus de complexidade, de acordo com a faixa etária e o conhecimento prévio das turmas", diz Ana Flávia. Por exemplo, escrever a agenda de eventos e os classificados é um bom desafio para as turmas de 2º ano, mas não para as do 5º. Para essas, é mais interessante propor a escrita de resenhas de livros e filmes ou mesmo um texto opinativo sobre algum evento. Além disso, o coordenador deve orientar os docentes a ler textos jornalísticos com os alunos antes que eles partam para a escrita propriamente dita.

Já ao diretor cabe suprir as condições físicas e materiais para que o projeto saia do papel, como se envolver na produção das pautas, estar à disposição para conceder entrevistas, pedir a colaboração dos funcionários para que também falem com os alunos-repórteres e disponibilizar exemplares de jornais de circulação local ou nacional na biblioteca. Para garantir o acesso aos periódicos, é possível fazer uma assinatura, campanha para que assinantes doem exemplares para a escola ou parcerias com editoras e distribuidoras a fim de conseguir edições gratuitas. Outras boas maneiras de incentivar a leitura e a escrita é convidar jornalistas para dar palestras e promover oficinas de texto com a garotada.

Uma dica para divulgar o produto - fazendo, assim, com que mais pessoas tenham acesso às informações sobre a escola - é distribuir exemplares no comércio local e em pontos de grande circulação das pessoas que moram no entorno e também para rádios e emissoras de televisão da cidade. "Quanto mais o jornal se torna parte da cultura institucional, mais gente quer participar. Assim, a demanda de trabalho em torno do veículo vai ficando descomplicada e gostosa. Ou seja, menos esforço e mais resultados ano após ano", afirma Ana Flávia.

Articulação para resgatar boas iniciativas esquecidas ou desativadas
Muitas vezes, um jornal interno circula uma ou duas vezes e, passada a empolgação inicial, cai no esquecimento. Em geral, isso ocorre quando há falta de incentivo por parte dos gestores, ausência de formação específica para os professores, pouca conexão entre a equipe e fraco investimento na parceria com a comunidade.

Contudo, é possível reativar o projeto e contagiar novamente a todos. É o que está fazendo a EMEF Mario Quintana, em Porto Alegre, ao resgatar o Papo Reto. Ele nasceu há dez anos com periodicidade bimestral, passou a semestral e parou de circular quando a professora que o idealizou saiu da escola. A equipe gestora reconhece que falhou nos quesitos envolvimento e planejamento e que agora é preciso descentralizar as ações para a publicação engatar. "Com esse objetivo, decidimos incluir a retomada do Papo Reto no PPP e incentivar alunos e docentes a pensar e trabalhar juntos", diz Cintia Maria Kovara, que foi diretora até o fim de 2010 e atualmente é coordenadora de projetos.

A intenção é usar a força e a popularidade do grêmio estudantil e dos representantes de classe para fortalecer o meio de comunicação e formar uma rede de colaboradores. Um ganho significativo da continuidade de projetos como esse é a construção da memória da escola. "Tem-se a oportunidade de ver que o conhecimento adquirido e as experiências acumuladas ao longo de um período não serão completamente esquecidos. Ao contrário, serão lembrados e documentados pelo jornal", afirma Ana Flávia.

Fonte: Gestão Escolar

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