terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Cartas ao Passado - Uma divertida forma de aprofundar seus conhecimentos em História

"Alunos são ótimas pessoas, a não ser quando se tenta dar aula para eles"

Recente provérbio dos professores

Essa frase já foi dita para mim por diversos dos meus colegas, das mais diversas áreas. Realmente parece haver uma grande resistência dos jovens e adolescentes de hoje aos formatos mais tradicionais. Além disso, algumas vezes, por algum motivo parece que, quando eles percebem que vão aprender alguma coisa, já fazem uma resistência a isso, mesmo quando a aula é diferenciada dos padrões tradicionais.

Ao mesmo tempo duvido que eles, tendo a oportunidade de realmente conversar com alguém do passado, perderiam a oportunidade. Penso isso pois, quando ensinava cultura indiana, e enfim pude trazer indianos para conversar com eles, houve o completo silêncio, sabiam que era uma oportunidade única e aproveitaram até a última gota. Da mesma forma quando puderam entrar em contato com o soldado israelense através de uma vídeo-conferência ou com um especialista em cultura andina, com seus instrumentos peculiares.

Foi justamente pensando nesses sucessores (que apesar de incríveis são raros, pois nem sempre temos como conseguir contato com essas pessoas) foi que eu desenvolvi a atividade "Cartas ao Passado". A ideia era bem simples, os alunos poderiam escrever suas cartas a personagens históricos, sejam estes famosos ou genéricos (como "um agricultor egípcio" por exemplo, mesmo que anônimo). Nesta carta poderiam falar qualquer coisa que quisessem, contar seu dia no futuro, fazer perguntas sobre o passado, etc. Entretanto, a grande curiosidade estava na promessa de que os personagens iriam responder.

É claro que foi-se a era da ingenuidade, nenhum dos alunos realmente, mesmo que por um menor instante, chegou a acreditar que aqueles e-mails realmente iriam ao passado, sabiam que eu é que os responderiam, mas a criação de um universo fantástico, mágico, onde seria possível se comunicar com o passado os motivou. Repeti essa atividade por 3 anos seguidos (no último ano contei com apoio da professor Simone Jorge).

Essa atividade é muito interessante pois permite ao professor avaliar outras situações que seriam impossíveis em uma avaliação formal, como uma prova. Por exemplo, como o aluno transpõe elementos do seu cotidiano para o passado, como a ideia de namoro, de felicidade, de trabalho, de tempo, de evolução. E pela percepção de cada um deles é possível identificar dúvidas e conhecimentos mal apreendidos durante o trimestre, assim revisar pontualmente elementos da matéria.

Além disso, dependendo do ensinamento, o melhor era deixar que o personagem do passado o fizesse, através de uma defesa de sua própria cultura ou não entendimento do que foi explicado. Desta forma o aluno ao mesmo tempo que se divertia ao ler sua resposta percebia novos elementos das sociedades estudadas.

Acesse o link para a leitura de algumas destas cartas.

Caso algum professor, lendo meu post, tenha interesse em aplicar essa atividade em sua escola, peço a gentileza de compartilhar comigo o resultado para que eu possa vir a divulgar aqui neste site. Obrigado!

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