segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Biblioteca que sai do lixão

POR FRANCISCO EDSON ALVES
Rio - Catador de papel do Lixão de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada, e uma das estrelas do filme 'Lixo Extraordinário’, que concorre ao Oscar de melhor documentário em Hollywood, José Carlos da Silva Bahia Lopes, o Zumbi, de 35 anos, está montando uma biblioteca com livros que acha entre latas, plásticos, garrafas, moscas e urubus.
Ao longo dos últimos 25 anos, ele já conseguiu salvar mais de 10 mil títulos, guardados em caixas de papelão na Sala Cleuza Maria da Silva Bahia — nome em homenagem à sua mãe, que morreu há 7 anos —, na associação dos catadores.
“Espero contar com doações de estantes para abrir o espaço para as cerca de 7 mil pessoas da comunidade”, diz Zumbi. Ele conta que estudou apenas até o 2º ano do Ensino Fundamental, mas aprendeu a ler e escrever através dos livros que resgata no aterro sanitário. “Já perdi a conta de quantos livros li nas últimas duas décadas. Graças a eles, hoje sou uma pessoa informada e antenada com o mundo”, garante.
Entre as “caixinhas de surpresas”, como Zumbi chama carinhosamente os livros, estão dicionários, manuais de informática e de noções de Direito Penal e obras de ficção famosas como ‘O Código da Vinci’ e ‘Anjos e Demônios’, do badalado escritor norte-americano Dan Brown. Entre os achados, há também sucessos de grandes autores brasileiros, como Carlos Drummond de Andrade (‘O Avesso das Coisas’ e ‘Contos de Aprendiz’), Clarice Lispector (‘A Hora da Estrela’), Machado de Assis (‘Dom Casmurro’) e Paulo Coelho (‘O Alquimista’).

A iniciativa do catador é lição de vida e alerta para o poder público. Estudo recente feito pelo Movimento Todos pela Educação apontou que seria necessária a construção de 25 bibliotecas por dia no Brasil até 2020, para atender a uma lei sancionada ano passado, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, determinando que todas as 200 mil escola de educação básica devem ter biblioteca.

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